MANAUS (AM) - A jornalista e idealizadora do podcast Aí é que Tá, Jeysy Xavier, transformou seu espaço de entrevistas em um projeto pessoal com a proposta clara de ver mais mulheres eleitas e ocupando espaços de poder. A série especial Mulheres na Política nasce para confrontar uma contradição histórica: no Brasil e no Amazonas, quem decide o resultado das urnas é a mulher, elas representam mais de 51% do eleitorado, mas as decisões políticas continuam concentradas em mãos masculinas.
Apesar do peso decisivo do voto feminino, o Amazonas vive uma escassez severa de representatividade nos espaços de decisão política em Brasília, acumulando um jejum de 7 anos sem uma senadora e 12 anos sem eleger uma deputada federal para o Congresso Nacional.

Propostas reais X Discursos clichês
O objetivo central da iniciativa vai além de dar tempo de tela ou promover discursos rasos: busca provocar reflexão profunda no eleitorado sobre como cada candidata pretende, na prática, mudar a perspectiva do olhar externo sobre a mulher na política.
"Quem decide a eleição no país é a mulher, mas no Amazonas continuaremos sendo governadas majoritariamente por homens se não ocuparmos a política. Este projeto se tornou uma missão pessoal para mim porque quero ver mais mulheres eleitas e ocupando os espaços de poder que nos são de direito. No nosso estado, enfrentamos diariamente problemáticas graves que afetam diretamente o público feminino, como os desafios na saúde da mulher do interior, a falta de autonomia financeira e a violência de gênero. É óbvio e indiscutível que todas serão contra a violência doméstica ou o estupro. Trazer isso para o microfone gera reflexão. E quando a candidata não apresenta planos ou entrega apenas ideais clichês, essa ausência de conteúdo também é uma resposta clara para o eleitor", afirma Jeysy Xavier, idealizadora do projeto.

Conteúdo e propostas em vez de picuinha partidária
A opção por transformar o espaço em uma rodada de sabatinas individuais e aprofundadas foi uma escolha editorial deliberada para fugir do espetáculo da polarização e focar no que realmente importa para a população.
"Poderíamos ter feito debates colocando candidatas frente a frente para se confrontarem. Isso geraria um engajamento estrondoso de curtidas e compartilhamentos nas redes sociais, mas serviria apenas para alimentar picuinhas partidárias e ataques pessoais. O nosso compromisso é colocar as candidatas para frente para debaterem suas ideias com profundidade, mostrando o que pensam sobre economia, gestão, orçamento e o desenvolvimento do Amazonas", explica a jornalista.

Superar a trava e a ilusão da cota de 33%
Outro ponto cego da legislação e da cultura eleitoral discutido ao longo do projeto é a aplicação da cota mínima de gênero de 33% nas nominatas partidárias.
"A cota mínima de 33% foi um avanço histórico, mas precisamos mudar a mentalidade de que esse número é o limite. Na prática, os partidos tratam o que deveria ser um piso como se fosse um teto máximo de participação feminina. Se somos mais da metade da população e do eleitorado, por que aceitar apenas um terço nas chapas? Podemos e precisamos mudar essa realidade nas urnas para eleger representações reais", defende Jeysy.
Destaques da primeira rodada de gravações
O primeiro episódio do projeto já foi gravado e reuniu quatro candidatas de diferentes trajetórias e partidos em conversas diretas sobre os rumos do estado, projetos de infraestrutura social e a disputa por vagas no Executivo estadual e no Congresso Nacional.
Confira trechos marcantes das sabatinas inaugurais:.
"A gente defende a criação de um plano de obras públicas pra construir mais creches, mais hospitais e moradias. Além da criação de mais restaurantes populares e lavanderias públicas."
— Juliana Frota, candidata a Vice-Governadora do Amazonas
"Eu sou diferente de qualquer homem que está na política. Os homens que estão aí hoje, estão mais preocupados em com quem vão destinar suas emendas parlamentares e montar seus grupos políticos, a diferença é que eu tenho um propósito."
— Marília Freire, candidata a Deputada Federal
"Nós precisamos ter vez, não é só dentro de casa, nós temos direito e competência pra chegar nos lugares de poder e por isso eu me candidatei por que sei que estou pronta para arrumar as coisas no nosso estado."
— Débora Mafra, candidata a Deputada Federal
"No nosso estado estamos devendo. São 8 homens, isso há 12 anos apenas ele ocupando e nós precisamos mudar isso."
— Adriana Sales, candidata a Deputada Federal
Onde acompanhar:
A série Aí é que tá mulheres na política é exibida semanalmente no canal do YouTube Teleli
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