MANAUS (AM) - Com o propósito de transformar informação em ferramenta direta de emancipação e sobrevivência, a Associação de Travestis, Transexuais e Transgêneros do Estado do Amazonas (Assotram) realiza, neste sábado (7), a partir das 15h, a roda de conversa “Direitos Trabalhistas e Combate à Violência”. A atividade acontece na nova sede da entidade, localizada na zona Centro-Oeste de Manaus.
O encontro integra o projeto Redes de (Re)existência Transamazônica, viabilizado com o apoio do Fundo Positivo. Conduzido pela advogada Caroline Lopes, o diálogo abordará temas centrais para o cotidiano de mulheres trans e pessoas LGBTQIA+: as garantias no mercado de trabalho formal e informal, o enfrentamento ao assédio e à discriminação, os caminhos legais para buscar reparação e a aplicação prática da Lei Maria da Penha no contexto de violência doméstica e de gênero contra mulheres trans.
Para a presidenta da Assotram, Rebeca Carvalho, a disseminação de conhecimento jurídico e cidadão é indispensável para romper ciclos de exclusão:
"Nessa roda de conversa, o intuito é passar informação. Porque sem informação, sem o conhecimento, você não tem como correr atrás dos seus direitos. Vamos esclarecer sobre o alto índice de desrespeito ao nome social no trabalho, a LGBTfobia e a falta de oportunidade que as meninas trans e travestis sofrem no mercado."
Embora a pauta central priorize a realidade de travestis e mulheres transexuais, as atividades são abertas a toda a comunidade e pessoas cisgênero. As rodas contam com média de 9 a 10 participantes por sessão e já mobilizaram dezenas de mulheres ao longo das edições semanais. Para garantir a permanência e a dignidade de quem comparece, a entidade faz questão de ofertar um lanche coletivo durante as atividades.
"O nosso foco não é o assistencialismo. A gente costuma falar que a Assotram dá a vara e ensina a pescar; cada menina vai atrás do seu peixe através de cursos, aprendizado e oportunidades de emprego. Queremos que a menina tenha conhecimento para ir atrás do seu sonho."
Recentes dados do mercado de trabalho
Um estudo publicado em outubro de 2025 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que 25% das pessoas trans com dados retificados (CPF e gênero alterados) estão no mercado de trabalho formal. Porém, outras estimativas e relatórios de organizações sociais (como a ANTRA) indicam que a taxa geral de formalidade pode ser bem menor, variando entre 0,38% e 15% dependendo do recorte populacional e da subnotificação.
A taxa de ocupação formal é menor entre mulheres trans (20,7%) do que entre homens trans (31,1%). Pessoas trans pretas recebem, em média, cerca de 80% do salário de pessoas trans brancas e têm rendimentos significativamente inferiores à média nacional.
Já o rendimento médio de pessoas trans no mercado formal é de aproximadamente R$ 2.707, o que representa cerca de 32% a menos do que a média nacional geral (R$ 3.987). Essa defasagem persiste mesmo entre profissionais trans com ensino superior completo (que ganham 27,6% a menos do que pessoas cisgêneras com a mesma instrução).
Quando a pauta é a presença de pessoas trans em cargos estatutários/públicos é de apenas 5,5%, metade da proporção encontrada na população total. E no âmbito da escolaridade, os dados mostram que cerca de 49% das pessoas trans possuem ensino médio incompleto, impulsionadas por episódios de violência escolar e evasão precoce, o que limita o acesso inicial a vagas qualificadas
Nove anos de resistência na Amazônia
Criada em 2017 e formalizada em 2018, a Assotram é a principal referência na formulação e defesa dos direitos humanos da população trans e travesti no Amazonas. Formada majoritariamente por mulheres trans, negras e indígenas, a instituição possui assento em órgãos de controle social como o Conselho Estadual LGBTI+ e o Conselho Municipal de Direitos da Mulher.
A atuação da organização combina incidência política institucional, ações formativas e trabalho de base no chão da cidade. Mensalmente, a entidade alcança uma média de 75 a 100 pessoas, somando as atividades formativas dentro de sua sede e as abordagens noturnas de redução de danos e prevenção em saúde nos pontos de sociabilidade e prostituição de Manaus.
Atualmente, a entidade está estruturando a sistematização digital de seu banco de dados cadastral, permitindo mapear com maior precisão o perfil socioeconômico e as principais demandas da comunidade trans na capital amazonense.
Serviço
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O quê: Roda de Conversa: Direitos Trabalhistas e Combate à Violência (Projeto Redes de [Re]existência Transamazônica)
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Facilitadora: Caroline Lopes (Advogada)
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Quando: Sábado, 7 de novembro de 2026, às 15h
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Onde: Assotram- (Interessados entrar em contato pelo instagram https://www.instagram.com/assotram/ )
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Inscrições: Gratuitas (entrada livre, sem necessidade de inscrição prévia; lista de presença assinada no local)
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Público-alvo: Mulheres trans, travestis, comunidade LGBTQIA+ e público em geral

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