MANAUS (AM) - Levar a favela para as passarelas, mas não apenas como estética ou inspiração, esse é o propósito do PERIFERI – Quebrada do Norte, evento que reúne cerca de 200 modelos e outros profissionais da cena criativa da capital amazonense, neste domingo, 13, no Manaus Plaza Shopping, para mostrar a moda construída a partir das próprias vivências, referências e identidades das comunidades.
Realizado pelo Instituto Amazonic Trend, o projeto nasce com a proposta de ampliar a visibilidade de quem cria, trabalha e empreende nas periferias, utilizando a moda como ferramenta de expressão, identidade e geração de oportunidades. A entrada será mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível.
Ao longo da programação, o público acompanhará desfiles, música, apresentações e intervenções artísticas. Na passarela, mais do que roupas e tendências, estarão diferentes referências, histórias e formas de enxergar as periferias de Manaus.
Para Lucas Melquids, diretor e fundador do Amazônic Trend, o PERIFERI surgiu da necessidade de mostrar que a produção cultural e criativa das periferias vai muito além dos estereótipos historicamente associados a esses territórios. “A proposta é colocar esses talentos no centro da cena e mostrar uma periferia que cria, sonha, empreende e ocupa espaços”, explica.
A diferença, segundo Melquids, está justamente em quem constrói essa narrativa. Em vez de utilizar elementos periféricos apenas como referência visual, o evento coloca os próprios moradores e profissionais desses territórios como autores daquilo que será apresentado ao público.
“Existe uma grande diferença entre usar a periferia como estética e dar protagonismo para quem realmente vive nela. O PERIFERI não quer reproduzir uma imagem da periferia criada por quem está de fora. Quer mostrar a periferia pelas mãos, pelos corpos, pelas histórias e pela criatividade de quem faz parte dela”, afirma.
Essa autoria também deve aparecer na diversidade apresentada durante os desfiles. As marcas, artistas e criadores participantes levarão para o evento suas próprias referências, vivências e visões de mundo.

“Talento não têm CEP”
Para Melquids, ainda existe preconceito e uma percepção de que essa produção seria inferior ou deveria permanecer limitada a determinados estilos. “O PERIFERI também nasce para questionar isso e mostrar que talento, criatividade e profissionalismo não têm CEP”, destaca.
O evento também busca apresentar outras narrativas sobre esses territórios. “A periferia não pode ser resumida àquilo que falta. Existe potência, criatividade, empreendedorismo, cultura, beleza e muitos talentos. O PERIFERI quer mostrar tudo aquilo que normalmente não aparece quando falam sobre a periferia”, diz Melquids.
“Esse espaço também é meu”
Mais do que apresentar novos nomes ao público, o projeto pretende fazer com que moradores das próprias periferias se reconheçam nos espaços ocupados pela moda. Para o diretor, esse sentimento de pertencimento é uma das principais mensagens que o PERIFERI pretende deixar.
“Eu quero que ela sinta pertencimento. Que olhe para aquela passarela e pense: ‘Esse espaço também é meu.’ Que entenda que ela não precisa sair da periferia para ser grande e que a sua origem não é uma limitação, é parte da sua identidade e da sua potência”, afirma.

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