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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026
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Projeto fortalece ancestralidade indígena e valoriza saberes tradicionais na periferia de Manaus

Iniciativa coordenada por Vanda Witoto reúne crianças, jovens, mulheres e anciãos da Comunidade Parque das Tribos em atividades de educação indígena, valorização das línguas originárias e preservação da memória ancestral

Projeto fortalece ancestralidade indígena e valoriza saberes tradicionais na periferia de Manaus
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MANAUS (AM) - A valorização dos conhecimentos ancestrais, o fortalecimento da identidade indígena e a transmissão de histórias entre gerações estão entre as principais atividades do projeto JOFO NIMAIRAMA, desenvolvido na Comunidade Parque das Tribos, em Manaus. Coordenada pela Pedagoga Vanda Witoto, a iniciativa tem como princípio a educação indígena para o bem viver e busca aproximar crianças e jovens às tradições de seus povos, contribuindo para a continuidade desses conhecimentos no contexto urbano.

Realizado entre março e outubro de 2026, na Casa de Conhecimento Jofo Nimairama, o projeto promoveu oficinas com anciãos da comunidade, contação de histórias, criação de materiais didáticos bilíngues e multilíngues, atividades de audiovisual e fotografia, além da produção de um minidocumentário. Ao todo, o projeto alcançou aproximadamente 380 pessoas.

Com atividades que unem oralidade, educação, línguas originárias, desenho, fotografia e vídeo, o JOFO NIMAIRAMA articula diferentes formas de aprender e preservar a cultura indígena. O projeto também busca criar condições para que crianças e jovens reconheçam suas origens, valorizem seus conhecimentos ancestrais e participem ativamente da continuidade das memórias e identidades indígenas na periferia de Manaus.

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A iniciativa, intermediada pelo Instituto Witoto, recebeu apoio do Fundo Casa Socioambiental, por meio do Edital EIN 359/2025, da chamada Educação para o Bem-Viver — Apoio às Comunidades Indígenas pela Equidade na Educação.

Ancestralidade transmitida entre gerações

Um dos eixos centrais do projeto foi o encontro entre os anciãos e as novas gerações. Seis pessoas mais velhas da comunidade, entre homens e mulheres, participaram das oficinas de contação de histórias, compartilhando narrativas sobre a origem dos povos, os espíritos da floresta, os animais, as frutas e os alimentos tradicionais. As histórias apresentam diferentes cosmologias indígenas e permitem que as crianças conheçam as referências culturais de seus povos por meio da oralidade.

Para Vanda Witoto, essa aproximação com os mais velhos é fundamental para fortalecer o sentimento de pertencimento das crianças e dos jovens, especialmente daqueles que crescem em uma realidade urbana, onde o contato cotidiano com as línguas e tradições de seus antepassados pode se tornar menos frequente.

“Quando os nossos mais velhos contam essas histórias para as crianças e os jovens, eles nos aproximam de uma memória que muitos ainda não conhecem: a história dos próprios povos, suas cosmologias e mitologias. É muito importante manter viva essa memória de quem somos e de onde viemos, porque é ela que fortalece nossa identidade indígena e nosso pertencimento coletivo”, destaca a coordenadora.

A retomada da ancestralidade também se expressa no reconhecimento das narrativas próprias de cada povo. Entre os exemplos compartilhados nas oficinas estão as histórias de origem do povo Witoto, cuja cosmologia relaciona seus antepassados ao centro da Terra e à figura da gente-formiga. Ao conhecer essas narrativas, as crianças têm a oportunidade de compreender os vínculos entre sua identidade, seus antepassados e a natureza.

Além da escuta, as crianças participaram ativamente da construção dos materiais do projeto, produzindo desenhos inspirados nas histórias narradas pelos anciãos. As ilustrações passam a integrar a cartilha educativa, transformando os participantes em colaboradores do registro e da transmissão de seus próprios conhecimentos tradicionais.

Valorização das línguas indígenas

Outro objetivo do JOFO NIMAIRAMA é contribuir para a valorização e a continuidade das línguas originárias presentes na comunidade. A cartilha didática foi concebida para reunir palavras, expressões curtas e vocabulários relacionados a animais e plantas em Nheengatu, Witoto, Tukano e Tikuna, considerando a diversidade dos povos que vivem no Parque das Tribos.

A produção do material responde a um desafio enfrentado por muitas famílias indígenas que vivem nas cidades: a diminuição do uso cotidiano das línguas maternas entre as novas gerações. Ao introduzir palavras e expressões em diferentes idiomas, a proposta busca aproximar as crianças de suas raízes linguísticas e oferecer recursos educativos que possam continuar sendo utilizados pela comunidade e pela escola.

O registro da língua Bue Witoto tem importância particular nesse processo, diante do risco de desaparecimento apontado pela coordenadora. A inclusão das línguas presentes no território também reconhece a diversidade cultural da comunidade, que reúne pessoas de diferentes povos e regiões da Amazônia.

Audiovisual e fotografia como preservação da memória

O projeto também incorporou a fotografia e o audiovisual como ferramentas de registro e salvaguarda das memórias indígenas. As oficinas foram registradas e deram origem a um minidocumentário a partir de contação de histórias pelos anciãos, da interação com as crianças e das encenações realizadas pelos participantes.

A produção audiovisual tem um diferencial: jovens da própria comunidade participaram da captação das imagens e do processo de edição. A experiência amplia o protagonismo juvenil e permite que os próprios indígenas registrem e compartilhem suas histórias a partir de suas perspectivas.

“Para nós, o audiovisual e a fotografia são ferramentas importantes para resguardar nossas memórias. Com o minidocumentário, as histórias contadas pelos avós ficam registradas e poderão ser acessadas pelas futuras gerações. É uma maneira de valorizar nossa cultura e garantir que esses conhecimentos continuem circulando, dentro da comunidade e também em outras escolas”, afirma Vanda Witoto.

A previsão é que o minidocumentário seja exibido na própria comunidade e em outras escolas, ampliando o acesso às narrativas e fortalecendo a transmissão dos saberes entre diferentes gerações. A iniciativa também representa uma experiência de produção audiovisual conduzida por jovens indígenas do território.

O Instituto Witoto

O Instituto Witoto é uma organização de impacto social fundada em 2023 por mulheres indígenas do povo Witoto. Atua no fortalecimento das culturas e identidades dos povos indígenas que vivem na periferia de Manaus, promovendo o acesso a direitos fundamentais por meio de projetos voltados à educação, cultura, arte, preservação ambiental, empreendedorismo e turismo de base comunitária. Suas ações têm como foco crianças, jovens, mulheres e pessoas idosas do Parque das Tribos, considerado o primeiro bairro indígena de Manaus.

FONTE/CRÉDITOS: Assessoria
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King Pizzaria & Choperia
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