Por: Carolina Caramuru
A moda contemporânea se tornou um ecossistema denso e ruidoso, uma verdadeira selva onde a sobrecarga visual, a obsessão pelo efêmero e o espetáculo fácil mascaram, frequentemente, a ausência de conteúdo. Em meio a esse cenário saturado, construir uma identidade autêntica exige algo a mais do que simplesmente seguir tendências: exige discernimento, disciplina e a coragem, personalidade e outros adjetivos mil.
Para navegar por estes rios sem sucumbir à superficialidade, recorro a uma bússola inegociável. E hoje, 19 de setembro, a moda brasileira celebra a vida de sua soberana absoluta: Costanza Pascolato, a nossa papisa da moda, que completa 87 anos.
Compreender o título de papisa da moda concedido a Costanza exige olhar para a densidade de sua trajetória. Nascida em Siena, na Itália facista de 1939, ela desembarcou no Brasil ainda criança, após a Segunda Guerra Mundial. A bagagem europeia, combinada com a vivacidade de nosso país, moldou um rigor estético singular, sem renunciar ao solo e referencias brasileiras.
Costanza foi atleta de salto ornamental, antes de se tornar uma das maiores referências e consultoras de moda do Brasil, a empresária dedicou-se ao esporte. Aos 15 anos de idade, ela conquistou o título de campeã sul-americana de saltos ornamentais em uma competição realizada em Mar del Plata, na Argentina. Assistente de grandes artistas plásticos e viveu de perto a construção de um império têxtil quando seus pais fundaram a lendária tecelagem Santa Constancia.
Etiqueta Única
Ao assumir a tecelagem nos anos 1980 e construir uma carreira irretocável na imprensa com passagens marcantes por veículos como Claudia, Folha de S.Paulo e Vogue, Costanza redefiniu o jornalismo e a consultoria de estilo no Brasil. Enfrentou adversidades pessoais severas e perdas dolorosas sem jamais perder a postura. Começou no jornalismo de moda com mais idade que o convencional, e seguiu um caminho brilhante sem olhar para trás e sem lamentar as adversidades. Mais que um acumulo passivo de luxo, a trajetória de Pascolato é um ato de disciplina diária, coerência, autoconhecimento e firmeza.
Ao lado de sua trajetória monumental, meu olhar encontra ponto de equilíbrio em outro pilar fundamental: Gloria Kalil. Se Costanza representa a vanguarda, a alta-costura e a autoridade máxima do estilo, Gloria oferece a maestria da adequação, da etiqueta contemporânea e do respeito às dinâmicas sociais. O fato de ambas dividirem a mesma data de nascimento (19 de meses subsequentes, setembro e outubro) por mero acaso, é o marco que consolida este número como um dos números da elegância no Brasil.
Enquanto a selva de tendências tenta gritar cada vez mais alto por segundos de atenção, nossas Pascolato e Gloria nos lembram do valor inestimável da postura irretocável e da sofisticação sem ostentar. Elas provam que o estilo verdadeiro não envelhece, independe de valor monetário e ao longo dos anos, com a experiência, ganha estrutura e autoridade.
Neste 19 de setembro, celebrar o legado de Costanza Pascolato é reafirmar o compromisso com uma moda com personalidade. Afinal, em uma selva cheia de ruídos passageiros, só quem aprendeu com a verdadeira papisa sabe exatamente onde e como pisar. O Diversa te dá parabéns, Constanza!

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