A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil gerou polêmica nas redes sociais nesta quarta-feira (23) ao divulgar um post incentivando o retorno voluntário de imigrantes ilegais por meio do programa de autodeportação criado pelo governo do presidente Donald Trump. Em tom bem-humorado, a publicação comparou os imigrantes ao personagem E.T., do filme dirigido por Steven Spielberg em 1982: “Se você está nos EUA ilegalmente, faça como o E.T.: é hora de ligar para casa”.
O post, voltado ao público brasileiro, promove o uso do aplicativo CBP Home, ferramenta criada para facilitar o retorno de imigrantes indocumentados aos seus países de origem. A publicação da embaixada promete apoio logístico, perdão de multas por permanência irregular e uma ajuda de custo de US$ 1.000 (cerca de R$ 5.500) para quem aderir voluntariamente ao programa. O objetivo, segundo o governo dos EUA, é oferecer “dignidade” e “organização” ao processo de saída.
Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, a proposta permite que os imigrantes finalizem compromissos pessoais, como estudos e trabalho, antes de retornar. “O CBP Home permite que estrangeiros ilegais planejem seu retorno de forma ordenada e legal, com tempo para concluir suas obrigações”, explica o site oficial do programa.
Em paralelo, o governo Trump intensificou seus esforços para acelerar deportações, inclusive com a convocação de ex-agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) para retomar funções. De acordo com um e-mail interno obtido pela CNN, a medida faz parte da chamada “Operação Retorno à Missão”, e oferece bônus de até US$ 50 mil (aproximadamente R$ 280 mil) para quem aceitar voltar ao serviço ativo.
A repercussão do post da embaixada dividiu opiniões. Enquanto apoiadores do ex-presidente elogiaram a abordagem direta e o incentivo ao retorno voluntário, críticos apontaram insensibilidade e ironia ao tratar de um tema tão delicado como a imigração forçada. Organizações de direitos humanos também questionaram se a linguagem da publicação respeita os princípios de dignidade e acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.

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