O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tornou-se, nesta sexta-feira (18), alvo de uma nova operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação faz parte das investigações da PET nº 14129 e inclui o cumprimento de mandados de busca e apreensão em residências ligadas ao ex-presidente em Brasília e no Rio de Janeiro, além da sede do Partido Liberal (PL). A operação teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), o que reforçou a base legal para as medidas adotadas pelo STF.
Como parte das medidas cautelares, Bolsonaro terá que usar tornozeleira eletrônica e cumprir recolhimento domiciliar das 19h às 7h e durante os fins de semana. Além disso, está proibido de manter contato com outros réus e investigados no caso, como seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos. Eduardo é apontado como um dos principais articuladores do bolsonarismo internacional e mantém laços próximos com o ex-presidente norte-americano Donald Trump.
O ex-presidente também está impedido de se comunicar com embaixadores e diplomatas, e de se aproximar de qualquer embaixada. A medida visa evitar qualquer tentativa de refúgio diplomático, possibilidade que o próprio Bolsonaro já havia cogitado publicamente em 2024. Também lhe foi proibido o acesso às redes sociais, um dos principais canais de mobilização política e comunicação com sua base de apoiadores.
A defesa do ex-presidente afirmou, em nota, que ele “recebeu com surpresa e indignação a imposição de medidas cautelares severas contra ele” e que “até o presente momento, sempre cumpriu com todas as determinações do Poder Judiciário”. Os advogados acrescentaram que irão se manifestar formalmente após tomarem conhecimento completo da decisão judicial. O Partido Liberal (PL), ao qual Bolsonaro é filiado, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
A operação tem como base suspeitas de crimes como coação no curso do processo, obstrução de Justiça e ataques à soberania nacional. A ação desta sexta-feira reforça o cerco judicial em torno do ex-presidente, que enfrenta uma série de investigações relacionadas a sua conduta antes, durante e após o fim de seu mandato. As investigações seguem em sigilo, mas as medidas indicam o avanço do inquérito e o endurecimento do Judiciário frente às suspeitas que pairam sobre Bolsonaro e seu entorno político.

Comentários: