A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, defendeu a importância do voto consciente e da participação política entre os jovens durante um encontro com cerca de 350 alunos do Centro de Ensino Médio 1 de Planaltina (Centrão), a maior escola pública do Distrito Federal, nessa terça-feira (7/10).
“O Brasil não caiu do céu nem nasceu no inferno. O Brasil é o que nós quisermos que ele seja”, afirmou a ministra, ao incentivar os estudantes a exercerem a cidadania e acreditarem no poder transformador da democracia.
Durante a roda de conversa, Cármen Lúcia abordou temas como igualdade de gênero, liberdade de expressão, polarização política e o papel das novas gerações na construção de um país mais justo. Ela ressaltou que o voto é “a ferramenta mais poderosa da cidadania”.
“Na hora em que você chega à cabine eleitoral, é você e a urna. Nem pai, nem mãe, nem juiz, ninguém manda. É o seu voto, o seu direito, a sua escolha. Isso é democracia”, destacou.

A ministra também fez um resgate histórico, lembrando os 37 anos da Constituição Federal e os 40 anos do fim da ditadura militar, e disse que a redemocratização do Brasil foi conquistada “com muita luta e coragem”.
“O que parece normal para vocês — poder falar, estudar e escolher — foi fruto de muita coragem. Cada geração tem o dever de garantir que a próxima mantenha esses direitos”, afirmou.
Participação dos estudantes
O encontro foi marcado por perguntas e reflexões dos alunos. Pedro, de 15 anos, contou que já tirou o título de eleitor e defendeu a importância de “nunca deixar que nossos direitos sejam oprimidos”.
A estudante Natasha de Souza, 18 anos, do 3º ano, destacou o impacto da visita da ministra:
“Ela nos trouxe um olhar diferente sobre a Constituição e sobre o valor de conhecer nossos direitos. Isso é essencial para termos mais respeito e sabermos o que reivindicar nas políticas públicas.”
Natasha participa do projeto Meninas em Ação, que promove o empoderamento feminino e aproxima jovens da rotina de autoridades e lideranças.
Emoção entre os professores
A professora de Geografia Adriane Vilar destacou o simbolismo da presença de uma mulher no comando da Justiça Eleitoral conversando com estudantes da rede pública:
“É uma alegria e uma emoção enorme. Além de falar sobre democracia, ela representa uma mulher forte que ajuda a construir um país mais justo.”
Educação e cidadania
Durante a conversa, Cármen Lúcia também abordou temas como educação, desigualdade e empatia. Ela incentivou os alunos a ouvirem ideias diferentes e a combaterem rupturas sociais.
“Trabalhar é dureza, mas é também o gosto de realizar. A gente não aprende nada com quem é igual. Quem pensa diferente pode te ensinar algo novo. E viver é mudar”, afirmou.
A ministra também comentou sobre segurança, transporte e condições de estudo, ressaltando que o poder público deve garantir o direito de viver sem medo.
“O estresse de viver sob ameaça causa doenças. É direito de cada um de nós poder ir e vir em paz”, disse.
Ao final do encontro, Cármen Lúcia entregou um exemplar da Constituição Federal à escola, como símbolo do compromisso com a formação cívica dos jovens.
“As pessoas saberem que conhecem os seus direitos muda o respeito que se tem por elas. O dono do poder público é o cidadão. Façam valer os seus direitos”, concluiu.
A visita integra as ações da Justiça Eleitoral voltadas à educação política e ao incentivo ao alistamento de jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, mas considerado essencial para o fortalecimento da representatividade nas próximas eleições.

Comentários: