A força de vozes femininas ressoou em tom de compromisso e colaboração durante a apresentação da Carta das Mulheres, documento que será entregue na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). A iniciativa reúne lideranças brasileiras e estrangeiras que integram a Bancada Feminina, movimento criado pela ativista Gabriela Rollemberg, fundadora da organização Quero Você Eleita, com o apoio de mais de 50 mulheres de diferentes territórios e áreas de atuação.
Mais do que um manifesto, o texto representa um pacto coletivo pela justiça climática, igualdade de gênero e sustentabilidade. Em construção colaborativa, a carta já conta com cerca de 120 contribuições de instituições e pessoas físicas e é coordenada pelo Grupo Mulheres do Brasil, em parceria com as organizações Quero Você Eleita, AzMina, Elas Pedem Vista e Elas no Poder.
Gabriela Rollemberg define o documento como uma convocação global. “A COP30, na Amazônia, não pode ser apenas um evento; deve ser um marco de Justiça Climática Interseccional. O que nos une hoje é a mensagem central sugerida na nossa Carta: não se trata apenas de estar presente na COP, mas de garantir que nenhuma decisão política ou climática seja tomada sem a participação de mulheres”, afirmou ao portal Política Diversa.

O texto da Carta das Mulheres apresenta cinco eixos principais que redesenham o Plano de Ação de Gênero (GAP) da Convenção do Clima da ONU. Entre eles estão a participação, liderança e proteção de mulheres defensoras ambientais; o reconhecimento de biomas negligenciados, como o Cerrado e a Caatinga; a integração da Agenda Mulheres, Paz e Segurança às políticas climáticas; e a criação de fundos de reparação para mulheres afetadas por desastres.
A carta também propõe mecanismos de monitoramento e financiamento com dados desagregados por gênero, raça e território, além do fortalecimento financeiro de coletivos femininos como espaços legítimos de incidência política. “A sociedade civil brasileira reafirma: a revisão do Plano de Ação de Gênero deve ser uma mudança estrutural, que una direitos humanos, igualdade racial e sustentabilidade”, completou Gabriela.
Durante um evento recente promovido na Embaixada da Eslovênia, país que adota política externa feminista, a embaixadora Mateja Kračun destacou a relevância do protagonismo feminino global. “Temos uma grande responsabilidade em estabelecer parcerias com grupos de mulheres que têm voz ativa e trabalham juntas pelo empoderamento, pela saúde e pela segurança de mulheres e meninas em todos os países”, afirmou.

Além da diplomata eslovena, também participaram do grupo representantes de diversos países, como Suriname, Haiti, Namíbia, Senegal, Tailândia e França. Do lado brasileiro, a bancada reúne nomes como Luiza Brunet, atriz e ativista; Luciene Kayabi, liderança indígena do povo Kayabi-Kawaiwete; e Solange Ribeiro, presidente do Instituto Bombeiros Brasil.
O movimento tem o apoio do Sebrae, do Correio Braziliense, do Sistema Fibra, da Natura e do Google.org. A construção coletiva da Carta das Mulheres reforça a urgência de um debate que una clima, gênero e território sob uma mesma pauta: a de um futuro sustentável e igualitário conduzido também por mulheres.

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