O vereador Fabrício Rosa (PT) levou ao plenário da Câmara Municipal, nesta quarta-feira (9), uma imagem de Zé Pilintra, entidade tradicional das religiões de matriz africana, como parte de um ato simbólico em defesa da liberdade religiosa. A entrada foi marcada por um “ponto” — canto típico desses cultos — enquanto o parlamentar carregava a imagem até a mesa diretora, sob aplausos e manifestações de apoio da galeria.
A iniciativa contou com a participação de integrantes da comunidade de religiões afro-brasileiras, que acompanharam o momento com outras imagens e expressões de fé. Zé Pilintra é uma entidade reverenciada na Umbanda, no Candomblé e no Catimbó, conhecida por sua ligação com os marginalizados e pela proteção das ruas, sendo símbolo de resistência e dignidade.
O ato foi uma resposta direta a declarações do vereador Igor Franco (MDB), líder do prefeito na Câmara, que afirmou não aceitar a exaltação de Zé Pilintra no plenário. Fabrício Rosa reagiu com firmeza, defendendo o respeito à diversidade religiosa. “Desde 1981, este país escolheu respeitar todas as religiões. Dizer que somos um Estado laico e um parlamento laico é dizer que todas as religiões devem ser respeitadas”, disse.
A presença da imagem no plenário gerou reações diversas, mas também abriu espaço para um debate necessário sobre intolerância religiosa no Brasil, especialmente contra as religiões de matriz africana. Rosa afirmou que o parlamento deve ser um espaço plural, onde todas as manifestações culturais e religiosas sejam acolhidas com respeito.
A ação reforça o papel das instituições públicas na promoção da igualdade e na defesa da liberdade de crença, princípio garantido pela Constituição. O gesto simbólico com Zé Pilintra foi interpretado por muitos como um recado contra o preconceito e uma valorização da ancestralidade e da cultura afro-brasileira.

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