Aos 14 anos, ao ouvir pela primeira vez a história de Branca de Neve, Cléia Branches descobriu o interesse pela leitura e percebeu que existiam livros e histórias aos quais nunca havia tido acesso. Segundo ela, a experiência marcou o início de sua relação com a Educação e influenciou sua atuação pela valorização dos profissionais do setor.
“Minha história com a Educação começou com a descoberta da leitura. Aos 14 anos, ouvi falar pela primeira vez sobre a Branca de Neve e percebi que existiam histórias que eu sequer conhecia”, conta.
Cléia começou a trabalhar ainda na adolescência, como menor aprendiz na Xerox, no Distrito Industrial de Manaus. Depois, atuou como profissional contratada pelo regime CLT, empreendeu ao lado de amigas e ingressou no serviço público como assistente técnica da Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc).
Na rotina da rede estadual, passou a acompanhar as dificuldades enfrentadas pelos profissionais que integram o grupo de apoio da Educação. Para ela, a falta de estrutura, suporte e condições adequadas de trabalho compromete o desempenho dos servidores e mantém a categoria distante dos principais debates sobre o setor.

A experiência também mostrou, segundo Cléia, que as demandas dos trabalhadores vão além das reivindicações salariais.
“Em muitos momentos, percebi que essas pessoas não queriam apenas uma reivindicação atendida. Elas queriam ser ouvidas, acolhidas e reconhecidas como parte do processo. É uma luta por respeito, pertencimento, reconhecimento e dignidade”, afirma.
Em 2018, Cléia participou da criação da Associação dos Servidores Administrativos da Educação do Amazonas (AVAMSEG), entidade que atualmente preside. A associação tem como objetivo ampliar a participação dos profissionais administrativos no debate educacional e defender pautas relacionadas à categoria.
Entre as reivindicações está o pagamento do abono do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) por carga horária para servidores da Seduc. A discussão também foi levada a municípios do interior, ampliando o debate sobre a inclusão dos profissionais administrativos no benefício.
Além das pautas trabalhistas, Cléia destaca o aumento da visibilidade da categoria nos últimos anos. “Quase ninguém falava sobre nós. Hoje estamos na televisão, no rádio, nos jornais, nas redes sociais e até nos grupos de WhatsApp. Quando as pessoas passam a discutir nossas pautas, até mesmo para fazer críticas, significa que conquistamos um espaço que antes nos era negado”, destaca.
A atuação na defesa dos servidores levou Cléia a percorrer 43 municípios do Amazonas. As viagens, segundo ela, evidenciaram as diferenças entre Manaus e o interior, principalmente no acesso a serviços, estrutura e recursos.
Profissionais da Educação enfrentam dificuldades relacionadas às condições de trabalho, enquanto muitas famílias precisam viajar longas distâncias em busca de atendimento básico e especializado. Para Cléia, a distância da capital não pode determinar o acesso da população a direitos.
“Quanto mais distante da capital, maiores são as dificuldades. Mas muitos desses problemas podem ser enfrentados com planejamento, investimento e vontade política. Quem mora longe da capital não pode ter menos direitos”, afirma.
Candidata a deputada estadual pelo PSD, Cléia pretende levar para a Assembleia Legislativa a experiência acumulada na rede estadual de Educação e na representação dos servidores. A proposta é manter a defesa dos profissionais administrativos e ampliar a atuação para professores e outras áreas do setor, com pautas relacionadas à inclusão, saúde, condições de trabalho e projetos sociais para estudantes.
A candidata também cita políticas públicas para mulheres vítimas de violência doméstica, além de ações nas áreas de saúde e segurança.
Natural da Vila de Itacuminy, no interior de Santarém (PA), e criada em Manaus, Cléia tem 44 anos, é formada em Gestão Pública e atua na Seduc. Nas eleições, concorre ao cargo de deputada estadual pelo PSD, com o número 55.789.

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