O número de eleitoras e eleitores autodeclarados quilombolas aptos a votar no Brasil registrou um aumento de 97,4% nas eleições gerais de 2026 em comparação com o pleito municipal de 2024. Segundo estatísticas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o contingente passou de 95.409 para 188.371 pessoas cadastradas, o que representa a inclusão de 92.962 novos registros no período de dois anos.
A alta é reflexo da evolução do cadastro eleitoral, que passou a incluir formalmente o campo de autodeclaração sobre pertencimento a comunidades quilombolas no final de 2022. Como o preenchimento da informação é facultativo e ocorre durante atendimentos de emissão, transferência ou regularização do título, a Justiça Eleitoral aponta que os dados vêm sendo qualificados de forma contínua a cada ciclo de atendimento nos cartórios.
O crescimento no número de cadastros também se relaciona a ações institucionais e de organizações civis voltadas à cidadania política. Campanhas de mobilização coordenadas por entidades representativas, como a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), se somaram a iniciativas dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) voltadas ao atendimento itinerante em territórios tradicionais.
Distribuição regional e destaques nos estados
Na divisão por macrorregiões, o Nordeste manteve a maior concentração do eleitorado quilombola do País, reunindo 95.901 votantes em 2026 (alta de 85% em relação aos 51.633 registrados em 2024).
Em termos proporcionais, a Região Sudeste registrou a maior variação percentual, com elevação de 156,8%, passando de 17.638 para 45.305 cadastros.
Na Região Norte, o total subiu de 17.895 para 32.853 registros; no Centro-Oeste, avançou de 6.084 para 10.169; e na Região Sul, passou de 2.159 para 3.891 votantes.
Entre os Estados com maior variação absoluta, Minas Gerais liderou o crescimento nacional ao passar de 12.712 para 31.487 eleitores cadastrados. Em Goiás, o contingente de votantes que declararam vínculo com territórios quilombolas subiu de 3.625 em 2024 para 5.394 em 2026. Em São Paulo, o total foi de 2.180 para 3.941 no mesmo intervalo.
A íntegra dos dados sociodemográficos e as consultas segmentadas por zona eleitoral e município estão disponíveis para acesso público no painel de Estatísticas do TSE.

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