"Herança”, filme musical dirigido por Keila-Sankofa, estreia nos dias 13 e 15 de agosto no Centro Cultural Casarão de Ideias, no Centro de Manaus, com proposta estética e narrativa que celebra a ancestralidade afroamazônica por meio de encantarias, música e imagem. Protagonizado pela cantora e rapper Rafa Militão, o curta é resultado de uma construção coletiva entre artistas do Amazonas que atravessa linguagens e tradições. No dia 14, a música-tema estará disponível nas plataformas digitais.
O filme marca a estreia de Rafa no audiovisual, e traz também sua avó e sua filha no elenco, transformando a obra em um manifesto íntimo e político de continuidade ancestral. A canção central foi composta por ela em parceria com a cantora Márcia Siqueira — que compõe pela primeira vez — e produzida musicalmente por Viktor Judah. “Ter a Márcia como feat e misturar rap com Boi Bumbá é a realização de um sonho”, afirma Rafa.
No elenco, destacam-se ainda a performer Uýra Sodoma e a atriz Francine Marie, que incorporam figuras simbólicas em um enredo visual marcado por elementos rituais. O filme evoca a presença de Iansã, Orixá dos ventos, por meio de danças circulares, fogo, oferendas de acarajé e a força das mulheres negras em movimento. “O caminhar sonoro das penas, cabaças e cuias guiou meu desejo de reunir essas vozes da Amazônia”, diz Keila-Sankofa.
A diretora, também roteirista e artista visual, idealizou “Herança” ao lado de Rafa desde 2023. A dupla desenvolveu uma linguagem híbrida que une o audiovisual à música, com forte presença simbólica de objetos e gestos afroamazônicos, como cuias, banhos de dendê e corpos em ritual. A filha de Keila, Maria Dias, toca atabaque no filme, representando a nova geração que se reconecta com as raízes.

Além de seu conteúdo simbólico, “Herança” se destaca pela valorização de profissionais do Norte em todas as etapas da produção. A fotografia é de Mariana Nunes, a montagem de Vinicius Silva, e o figurino e direção de arte são assinados pela própria Keila. A produção foi viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo e terá distribuição nacional, além de acessibilidade com intérprete de Libras nas sessões.
O filme também é um registro de afetos e resistência. Durante as gravações, Rafa reencontrou uma avó que não via há quase oito anos e a incluiu na obra. “É o trabalho mais importante da minha trajetória. É a nossa história sendo recontada com as nossas vozes”, afirma a artista. A presença de suas ancestrais e descendentes reforça o sentido do título, tornando “Herança” uma expressão viva da continuidade afroamazônica.
Com estreia prevista em Manaus, “Herança” chega como um marco da produção audiovisual do Norte, em que o tambor, o vento e a memória se tornam protagonistas. É cinema, música e ritual em um só corpo.

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