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Quinta-feira, 18 de Junho de 2026
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Fogos, buzinas e aglomerações: os desafios da Copa para pessoas com TEA

Data chama atenção para desafios enfrentados por pessoas autistas em períodos de grandes eventos e aglomerações como a Copa do Mundo

Fogos, buzinas e aglomerações: os desafios da Copa para pessoas com TEA
Reprodução/Sertep
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MANAUS (AM) - Celebrado nesta quinta-feira, 18, o Dia Nacional do Orgulho Autista convida a sociedade a refletir sobre a importância da inclusão, do respeito às diferenças e do combate aos estigmas que ainda cercam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data ganha ainda mais relevância neste período de Copa do Mundo, quando ambientes com excesso de estímulos sensoriais podem representar desafios para parte dessa população.

A psicóloga e colunista da Revista Autismo, Paula Ayub, alerta para a necessidade de tornar os ambientes mais acolhedores. Fogos de artifício, buzinas, gritos, aglomerações e a tensão típica dos jogos podem causar desconforto para pessoas sensíveis a estímulos intensos. “A principal orientação é respeitar as individualidades. Cada autista tem necessidades diferentes. Alguns preferem acompanhar os jogos em ambientes mais tranquilos, outros utilizam abafadores de som, óculos escuros ou brinquedos antiestresse. O importante é perguntar à própria pessoa o que ela precisa e respeitar essa necessidade”, orienta Paula Ayub.

A especialista recomenda ainda que famílias, estabelecimentos comerciais e espaços públicos disponibilizem locais de descompressão, com menos estímulos visuais e sonoros. “Não podemos presumir que todos vão querer participar das comemorações da mesma forma. Respeitar o momento de se afastar, evitar abraços inesperados, reduzir estímulos excessivos e oferecer ambientes acolhedores são atitudes fundamentais para uma torcida verdadeiramente inclusiva”, acrescenta.

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A psicóloga e colunista da Revista Autismo Paula Ayub (Acervo pessoal)

 

Orgulho de ser quem é

Para Juliane de Araújo, mãe de Geraldo, de 16 anos, o orgulho autista está relacionado à valorização da pessoa e não ao diagnóstico. “Tenho orgulho do Geraldo exatamente como ele é. Ele é estudioso, dedicado, tem seus amigos e seus sonhos. O autismo faz parte dele, mas não o define”, afirma. O adolescente compartilha da mesma visão: “Eu não tenho necessariamente orgulho do autismo. Tenho orgulho de ser o Geraldo. O autismo é uma das minhas características, mas o que me faz sentir orgulho é quem eu sou”.

Apaixonado por futebol, Geraldo já tem sua própria forma de acompanhar a Copa do Mundo. Sensível a ruídos intensos e grandes aglomerações, ele prefere assistir às partidas em ambientes mais tranquilos e utiliza fones de ouvido quando prevê muito barulho. “Eu gosto muito de futebol, mas prefiro assistir no meu canto, sem muita muvuca”, conta.

O adolescente Geraldo e a mãe Juliane Araújo (Acervo pessoal)

 

Conscientização e combate ao preconceito

Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros declararam ter recebido diagnóstico de autismo, o equivalente a aproximadamente 1,2% da população. Para especialistas, o aumento dos diagnósticos nos últimos anos está relacionado ao avanço do conhecimento científico, ao maior acesso à informação e à ampliação da compreensão sobre as diferentes formas de manifestação do espectro.

A psicóloga reforça que a data não é um momento para celebrar o diagnóstico, mas para ampliar a conscientização e combater preconceitos. “Quem conhece uma pessoa autista conhece uma pessoa autista, não conhece o autismo. Estamos falando de uma deficiência invisível e plural”, afirma. Segundo ela, os diferentes níveis de suporte refletem necessidades específicas de cada indivíduo, que podem variar desde apoio contínuo até ferramentas de organização e acompanhamento de atividades cotidianas.

Paula também ressalta que a sociedade passou a compreender melhor manifestações antes pouco reconhecidas, especialmente entre as mulheres. “Atualmente, existe um maior entendimento do quadro e, além disso, passamos a ver o quanto as mulheres, por exemplo, foram invisibilizadas. A gente não conseguia ver o autismo feminino por uma questão cultural, de gênero. O fenótipo do autismo feminino é muito diferente do masculino”, explica.

(*) Com informações da assessoria

FONTE/CRÉDITOS: Eduardo Figueiredo*
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