O Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriu investigação contra pais de crianças e adolescentes que aparecem em vídeos produzidos pelo influenciador Hytalo Santos. A suspeita é de que responsáveis possam ter se omitido na proteção dos filhos diante da exposição indevida, que, segundo a promotoria, pode ter causado danos aos menores. Paralelamente, Hytalo é investigado por suposto aliciamento e exploração de crianças e adolescentes, com procedimento já em tramitação na esfera criminal.
O paraibano Hitalo José Santos Silva, conhecido como Hytalo Santos, teve sua conta no Instagram suspensa após o youtuber Felca publicar um vídeo denunciando possível exploração de menores nos conteúdos do influenciador. As acusações apontam que Hytalo sexualizava vídeos envolvendo crianças e adolescentes, além de manter convivência considerada imprópria com alguns deles em sua casa. Entre os jovens expostos está Kamylinha Santos, de 17 anos, exibida nas redes por Hytalo desde os 12 anos, que hoje acumula 10 milhões de seguidores.
O vídeo de Felca, cujo nome verdadeiro é Felipe Bressanim Pereira, foi publicado no último dia 7 e alcançou 24 milhões de visualizações. A repercussão motivou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a declarar que irá pautar projetos voltados à proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais. Felca, que iniciou a carreira em 2012 com transmissões de jogos e depois passou a produzir conteúdo humorístico, classificou o material de Hytalo envolvendo menores como um “circo macabro”.
Segundo apuração do Estadão, o MPPB iniciou a investigação contra Hytalo no fim de 2024, a partir de denúncias anônimas. O procedimento administrativo solicitou a abertura de inquérito policial, que agora apura possíveis crimes contra a dignidade sexual e o bem-estar de crianças e adolescentes. Além da conduta do influenciador, o Ministério Público quer saber se houve negligência dos pais, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Em um perfil que chama de “reserva” no Instagram, Hytalo afirmou já ter prestado esclarecimentos ao MPPB em duas ocasiões — há seis meses e há um ano — e negou irregularidades. “Saiu como se fosse uma coisa de agora, mas não é. A gente coopera com o Ministério Público. Algumas pessoas não entendem, a gente tem uma família, mas não é uma família padrão”, disse o influenciador. Até o momento, sua defesa não respondeu aos pedidos da reportagem.
A Meta, empresa responsável pelo Instagram, informou que não comenta casos específicos. Antes da suspensão, Hytalo possuía mais de 17 milhões de seguidores na plataforma, além de quase 10 milhões em outras redes sociais. O caso segue em investigação pelo MPPB e pela polícia, sem prazo definido para conclusão.

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