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Sabado, 15 de Agosto de 2026
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Relatório do Cimi aponta aumento de conflitos fundiários, assassinatos e suicídios de indígenas em 2025

Documento anual da entidade associa o avanço das violações à morosidade nas demarcações de terras e à permanência de impasses jurídicos e legislativos sobre o marco temporal

Relatório do Cimi aponta aumento de conflitos fundiários, assassinatos e suicídios de indígenas em 2025
Cimi
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BRASÍLIA — O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) publicou, nessa quinta-feira, 13, o relatório "Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025", que registra o aumento de conflitos territoriais, assassinatos, suicídios e mortes infantis em relação ao ano anterior. Conforme os dados consolidados pelo documento, a elevação dos índices de violência ocorre em meio à lentidão no processo de demarcação de terras, à vigência da Lei 14.701/2023 (conhecida como Lei do Marco Temporal) e à pressão de setores econômicos sobre áreas tradicionais.

O levantamento divide os registros em três eixos centrais: violência contra o patrimônio, violência contra a pessoa e violência por omissão do poder público. Segundo a entidade, os números refletem uma conjuntura de insegurança jurídica associada a decisões judiciais, propostas legislativas e à estagnação administrativa de processos demarcatórios no país.

Pendências fundiárias e conflitos territoriais

No âmbito do patrimônio indígena, o relatório contabilizou 1.276 casos em 2025. Desse total, 897 referem-se à omissão e morosidade na regularização fundiária. Das 1.443 terras e reivindicações territoriais existentes no Brasil, 897 apresentam algum tipo de pendência administrativa, sendo que 582 não contam com nenhuma providência inicial adotada pelo Estado.

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Os conflitos por direitos territoriais somaram 169 registros em 23 Estados, afetando 143 Terras Indígenas (TIs). Desse grupo, dois terços correspondem a áreas não regularizadas ou sem providências oficiais. O documento também registrou 210 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio, distribuídos por 151 terras indígenas em 20 estados, a maioria delas (58,3%) em territórios já regularizados que sofrem com a reincidência de invasores após ações de fiscalização.

Trecho do relatório VIOLÊNCIA CONTRA OS
POVOS INDÍGENAS NO BRASIL- 2025 (Divulgação)

 

Violência contra a pessoa e letalidade

No eixo de violência contra a pessoa, o Cimi contabilizou 258 assassinatos de indígenas em 2025, frente aos 211 registrados em 2024, resultando em um aumento de 22%. Os Estados com maior número de ocorrências foram Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37). As fontes primárias desses dados incluem o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), secretarias estaduais de saúde e a Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai), obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e consultas públicas.

O relatório reúne ainda 38 tentativas de assassinato, 33 casos de lesão corporal, 27 ameaças várias, 19 registros de abuso de poder, 18 ameaças de morte, 46 casos de racismo e discriminação étnico-cultural e 25 ocorrências de violência sexual, totalizando 474 casos nesse capítulo.

Omissão do poder público e saúde

As violências decorrentes de omissão estatal totalizaram 215 suicídios indígenas em 2025, superando os 208 do ano anterior. As ocorrências concentraram-se nos estados do Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37), com maior incidência entre jovens de 20 a 29 anos (41%) e até 19 anos (34%).

O documento computou também a morte de 1.024 crianças de até 4 anos de idade, com destaque para o Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123). Do total de óbitos infantis, 586 (57%) decorreram de causas consideradas evitáveis pelo sistema de saúde, como gripe e pneumonia (104), doenças infecciosas intestinais (85) e desnutrição (32). Foram identificados ainda 121 casos de desassistência na saúde, 111 na educação e 58 ocorrências de desassistência geral. Vale lembrar que, em 2024, foram registrados 922 óbitos de crianças indígenas de até 4 anos, o que aponta um  um aumento de 11% atualmente. 

Cenário político, legislativo e povos isolados

A publicação analisa o impacto de proposições legislativas e medidas judiciais sobre a conjuntura indígena. Entre elas, destaca a tramitação e aprovação de propostas no Senado como o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 717/2024 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023, além das discussões sobre a tese do marco temporal no Supremo Tribunal Federal (STF).

O relatório aborda ainda a situação de povos indígenas em isolamento voluntário. A Equipe de Apoio aos Povos Livres (Eapil) do Cimi lista 119 registros de povos isolados no Brasil, dos quais 28 são formalmente confirmados pela Funai. Segundo o documento, 20 terras indígenas com a presença de 45 registros de povos isolados sofreram invasões e danos materiais ao longo do ano.

Para ler o relatório completo acesse o link  https://cimi.org.br/2026/08/relatorioviolencia2025/ 

FONTE/CRÉDITOS: Priscilla Peixoto- Política Diversa
Comentários:
King Pizzaria & Choperia
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