A sessão plenária da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta segunda-feira (3/11) foi marcada por um protesto inusitado. O vereador Rodrigo Guedes (PP) levou uma pizza ao plenário para criticar a falta de posicionamento da Mesa Diretora sobre o pedido de abertura de processo disciplinar contra o vereador Rosinaldo Bual (AGIR), preso em outubro durante a Operação Face Oculta, do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).
Segundo Guedes, já se passou um mês desde o protocolo da denúncia, feita pelo Comitê Amazonense de Combate à Corrupção, e até o momento não houve manifestação oficial da presidência da Casa sobre a instauração da comissão processante. “Hoje completa exatamente um mês que um membro desta Câmara foi preso, e há um mês que a Câmara não se pronuncia sobre o pedido para abrir processo disciplinar”, afirmou.
Durante o discurso, o parlamentar leu o artigo 243 do Regimento Interno, que determina a abertura imediata de comissão assim que uma denúncia é recebida pela Câmara. Guedes afirmou que o descumprimento das normas internas e da Lei Orgânica do Município compromete a transparência e a credibilidade do Legislativo. “A Câmara precisa cumprir a lei, abrir o processo ou colocar em votação. O que não pode acontecer é simplesmente ignorar a lei”, reforçou.
O protesto com a pizza foi interpretado como símbolo de impunidade, e o ato chamou atenção dos demais vereadores presentes. Guedes ressaltou que a demora em analisar o caso fere a independência e a responsabilidade institucional da Casa, defendendo que a postura da presidência precisa ser técnica e transparente, independentemente de vínculos partidários.
O vereador Coronel Rosses (PL) manifestou apoio à cobrança de Guedes, afirmando que o Regimento deve ser respeitado. “Nós estamos totalmente juntos nessa questão de fazer valer o regimento, independente de quem seja prejudicado. Quero coadunar com o pensamento dele e dizer que, no tempo certo, iremos cobrar essa ação dentro da Casa”, declarou o parlamentar.

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