A secretária nacional LGBT do Partido dos Trabalhadores (PT), Janaína Oliveira, se pronunciou nesta quinta-feira (9) sobre o movimento autodenominado LGB Internacional, que anunciou recentemente sua separação do movimento LGBT+. A fala de Janaína reforça o alerta sobre os riscos dessa divisão, que vem sendo interpretada como uma tentativa de excluir pessoas trans, travestis e não binárias das pautas históricas da diversidade sexual. O Diversa AM já havia publicado uma matéria sobre o tema, destacando as reações de ativistas e lideranças amazônicas à fragmentação do movimento.
Segundo Janaína, o grupo LGB Internacional tenta se apresentar como defensor de uma representatividade específica, a de lésbicas, gays e bissexuais, mas, na prática, reproduz um discurso antigênero disfarçado de emancipação. “Esse tipo de narrativa não nasce do nada. Ela é fruto direto do ecossistema internacional antigênero, impulsionado por setores ultraconservadores, fundamentalistas religiosos e pela extrema-direita”, afirmou a secretária.
Para ela, a tentativa de justificar a exclusão de pessoas trans e travestis com o argumento de que suas pautas “confundem” ou “diluem” as demandas LGB é uma estratégia política de divisão. “Dividir para enfraquecer sempre foi uma tática de quem teme a força coletiva da diversidade. A ideia de que é possível libertar uns excluindo outros é uma contradição em si”, ressaltou.
Janaína também destacou que o discurso da “proteção das mulheres” ou da “defesa das crianças” vem sendo instrumentalizado para legitimar ataques à autodeterminação de gênero, especialmente contra pessoas trans jovens.
"Não se trata de um debate teórico sobre biologia, mas de um projeto político de exclusão que busca negar a legitimidade de existências inteiras, e isso vindo do próprio guarda-chuva LGBTQA+, tem um efeito ainda mais devastador. Normaliza a transfobia com aparência de diversidade. Por isso, é fundamental rechaçar publicamente qualquer sexista que pretenda falar em nome das pessoas da LGB para excluir as pessoas Trans", argumenta.
Por fim, a dirigente reforçou a necessidade de rejeitar publicamente qualquer tentativa de cis-separatismo dentro do movimento. “A inclusão sempre foi a base da nossa luta. A diversidade não nos enfraquece , ela é o que nos sustenta”, concluiu Janaína Oliveira.

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