MANAUS (AM) - No Dia Internacional do Orgulho LGBT+, celebrado neste domingo, 28, a diversidade também aparece como um caminho estratégico para o fortalecimento do turismo na Amazônia. Em um momento em que o Amazonas registra o melhor desempenho do setor desde a pandemia, o turismo LGBT+ surge como uma oportunidade para unir geração de renda, hospitalidade, experiências de natureza e acolhimento a viajantes que buscam segurança e respeito.
O segmento de turismo LGBT+ tem se consolidado como um dos mercados mais promissores no Brasil e no mundo. Segundo dados da International LGBTQ+ Travel Association (IGLTA), o turismo LGBT+ movimenta globalmente mais de US$ 218 bilhões por ano. No Brasil, estimativas da Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil apontam que o segmento injetou cerca de R$ 600 bilhões na economia brasileira em 2024, considerando viagens, eventos, gastronomia, moda e entretenimento.
Entre janeiro e outubro de 2025, o Amazonas recebeu 379.662 turistas, crescimento de 14,15% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados divulgados pela Amazonastur. Desse total, 295.629 foram turistas domésticos, alta de 8,25%, e 74.231 estrangeiros, aumento de 40,55%. A receita direta parcial gerada pelo turismo no Estado foi estimada em aproximadamente R$ 755 milhões no período.
O bom desempenho acompanha o avanço das atividades turísticas no estado. Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE, o setor cresceu 6,9% no Amazonas, colocando o estado como o segundo maior crescimento do país, à frente de destinos consolidados como São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
Amazônia como destino de pertencimento
Mais do que escolher um destino bonito, esse público costuma priorizar experiências autênticas, seguras e inclusivas. Levantamento da consultoria Out Now aponta que o turista LGBT+ realiza, em média, quatro viagens por ano, permanece de cinco a sete dias por destino e tem gasto 30% superior ao turista heterossexual.
Segundo a CEO da Amazon Prid Xperience (APX), agência de turismo especializada em roteiros ecológicos voltados para o público LGBTQIA+, Milena Pereira, a procura pela região amazônica tem crescido nos últimos anos, especialmente por turistas interessados em natureza, cultura e experiências transformadoras.
“Existe uma busca cada vez maior por destinos de natureza, experiências transformadoras e lugares que transmitam acolhimento de verdade”, destaca Milena ao explicar que a empresa surgiu após a percepção de que muitos viajantes procuram mais do que passeios. “Queríamos mostrar que a Amazônia também pode ser um destino onde cada pessoa se sinta livre para ser quem é”, acrescenta.
Entre os destinos e experiências mais procurados estão vivências na floresta, Anavilhanas, Encontro das Águas, comunidades locais, cachoeiras e roteiros exclusivos. A agência também percebe aumento no interesse de brasileiros, além da procura contínua de estrangeiros por experiências autênticas na Amazônia.
Segurança influencia escolha do destino
Para o público LGBT+, segurança e acolhimento podem ser fatores decisivos na hora de comprar uma viagem. Pesquisa divulgada pela plataforma Booking.com mostra que 83% dos viajantes LGBT+ brasileiros afirmaram já ter enfrentado algum tipo de discriminação durante viagens.
Milena explica que a escolha de parceiros, hotéis e passeios passa pelo compromisso com o respeito e com uma hospitalidade preparada para diferentes perfis de viajantes. “Para muitos viajantes LGBT+, não é apenas sobre o destino, é sobre como serão recebidos durante toda a experiência”.
Apesar dos avanços, Milena avalia que ainda há desafios para promover o turismo LGBT+ na Região Norte. Para ela, é preciso mostrar que a Amazônia vai além dos estereótipos e pode oferecer experiências profissionais, seguras e inclusivas. “Mostrar que a Amazônia vai além dos estereótipos e que aqui também existem experiências preparadas para receber com profissionalismo e acolhimento”, diz.
O avanço do turismo LGBT+ na Amazônia depende de mais representatividade, fortalecimento de boas práticas e divulgação do destino como um território onde diversidade e natureza caminham juntas. “Mais representatividade, fortalecimento de boas práticas e mostrar ao mundo que diversidade e Amazônia caminham juntas”, conclui Milena.
Natureza, cultura e aventura atraem o público LGBT+
Na avaliação do turismólogo, guia e educador patrimonial Julio Sales, a Amazônia tem grande potencial para atrair turistas LGBT+ justamente por reunir diversidade, natureza, cultura e aventura. “O público LGBT+ tem um perfil conectado com a diversidade, a natureza, a cultura e a aventura. Por isso a Amazônia é um destino ideal para que esse público possa ter contato com as raízes brasileiras”, afirma.
Julio destaca que a região oferece uma combinação de floresta, povos, gastronomia, festas, eventos e experiências em terra firme e dentro d’água. “A Amazônia também é um lugar novo e misterioso e essa curiosidade por descobertas e novas experiências pode atrair esse público também”, completa.
Um destino verdadeiramente inclusivo começa pela forma como recebe seus visitantes. o especialista aponta a hospitalidade do povo amazônida, especialmente das comunidades ribeirinhas, como uma marca regional capaz de encantar quem visita a Amazônia. “Acredito que parte dessa inclusão se retrata na forma acolhedora que a população local recebe os turistas, principalmente os ribeirinhos. A forma genuína, simples e hospitaleira do povo Amazônida é um diferencial que encanta quem passa por aqui e se torna uma marca da nossa região”, afirma.
O turismólogo ressalta, porém, que o acolhimento precisa estar acompanhado de ações concretas para garantir inclusão em diferentes sentidos. Entre os pontos necessários, ele cita profissionais qualificados, domínio de segundo idioma, Libras, acessibilidade nos locais de visitação e treinamento para o bem receber. “A hospitalidade é um fator essencial para que o turismo seja realizado da melhor forma possível. Isso é o básico”, pontua.

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