A escritora Ana Maria Gonçalves foi eleita nesta quinta-feira (11) para a Academia Brasileira de Letras (ABL), recebendo 30 dos 31 votos possíveis. Ela disputava a vaga com outros 11 candidatos, incluindo a professora e ativista indígena Eliane Potiguara, que recebeu apenas um voto. A eleição marca um momento histórico na instituição, com a primeira mulher negra sendo escolhida para integrar o seleto grupo de imortais.
Merval Pereira, presidente da ABL, destacou a importância da obra de Gonçalves e o papel que ela exercerá na representatividade dentro da academia. “Um Defeito de Cor foi considerado o mais importante da literatura brasileira dos últimos 25 anos. Só por isso, merece estar entre nós. Mas, além disso, Ana Maria é uma mulher negra, e a ABL está comprometida em refletir melhor a diversidade brasileira”, afirmou.
A escritora e acadêmica Rosiska Darcy, titular da cadeira 10 da ABL, celebrou o resultado da eleição como um avanço democrático e cultural. “É uma eleição histórica. Ana Maria é uma grande escritora, e sua entrada representa uma fase de maior completude para a ABL. Vamos nos aproximando cada vez mais da cultura brasileira em sua totalidade”, disse.
Nascida em Ibiá, Minas Gerais, em 1970, Ana Maria Gonçalves começou a escrever ainda na adolescência, mas só publicou após abandonar uma carreira de 15 anos na publicidade. Com seu romance Um Defeito de Cor, conquistou reconhecimento nacional e internacional, sendo apontada pela Folha de S.Paulo como autora do livro mais importante do século XXI no Brasil.
A chegada de Ana Maria Gonçalves à ABL simboliza um novo momento para a instituição, tradicionalmente marcada por perfis homogêneos. A eleição quase unânime reflete não apenas o reconhecimento de sua trajetória literária, mas também um desejo de renovação dentro da Academia, agora mais atenta à pluralidade cultural e social brasileira.

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