As negociações sobre a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 continuam em impasse, mesmo após manifestações em todo o País no último domingo. O clima político se complicou quando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se posicionou contrário ao pedido da oposição para nomear o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) líder da minoria.
O relator do tema, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirmou que trabalha em um relatório que prevê a redução de penas, enquanto a maior bancada da Câmara, o PL, defende que apenas a anistia integral pode ser votada. Paulinho explicou que pretende apresentar um substitutivo próprio, buscando um “meio termo” que dialogue com a maioria do Congresso e com o público.
“Quem vai decidir se isso é dosimetria ou não é o Supremo, mas nossa função aqui seria reduzir as penas”, afirmou Paulinho, ressaltando que o objetivo é pacificar o país. Por outro lado, o PL insiste que apenas a anistia completa resolveria a questão.
O cenário se complicou ainda mais com o anúncio de novas sanções dos Estados Unidos contra aliados de Jair Bolsonaro. Segundo Paulinho, a medida muda o clima político e exige que a estratégia seja repensada. “Temos que repensar tudo de novo”, disse à coluna de Malu Gaspar.
Familiares dos presos do 8 de janeiro acompanharam a reunião e reforçaram a pressão pela anistia ampla, geral e irrestrita. Luísa Cunha, filha de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, afirmou que a medida não trará seu pai de volta, mas pode trazer alívio a milhares de famílias afetadas.
O governo federal, por meio da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reforçou que votará contra qualquer projeto que reduza penas ou conceda anistia.

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