O Censo Demográfico 2022 revelou que o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o que representa 7,3% da população com dois anos ou mais. O dado preliminar foi divulgado nesta sexta-feira (23) pelo IBGE, em evento realizado em Natal (RN).
O estudo mostra que a maioria das pessoas com deficiência no país é do sexo feminino (8,3 milhões), e que quase metade (45,4%) tem 60 anos ou mais, o que destaca o impacto do envelhecimento da população nos índices de deficiência.
As mulheres com deficiência são mais numerosas que os homens em todas as regiões do Brasil. Especialistas apontam que isso pode estar associado à maior longevidade feminina.
O envelhecimento também se reflete no aumento da prevalência da deficiência conforme a idade: 27,5% da população com 70 anos ou mais apresenta algum tipo de limitação funcional, índice que despenca para apenas 2,2% entre crianças de 2 a 14 anos.
O recorte regional traz atenção especial ao Nordeste, onde todos os nove estados superaram a média nacional de pessoas com deficiência. Alagoas lidera com 9,6%, seguido por Piauí (9,3%), Ceará e Pernambuco (ambos com 8,9%).
Fora da região, o Rio de Janeiro teve a maior proporção (7,4%). Já estados como Roraima, Mato Grosso e Santa Catarina apresentaram os menores percentuais.
Luciana dos Santos, analista do IBGE, ressalta que a maior incidência de deficiência em estados nordestinos pode refletir desigualdades históricas no acesso à saúde, educação e saneamento.
“Fatores como má nutrição e dificuldades de acesso a serviços básicos contribuem para o surgimento de deficiências, especialmente em regiões com menor desenvolvimento humano”, explica.
A pesquisa também aponta que 7,9% da população indígena com dois anos ou mais tem algum tipo de deficiência, número levemente acima da média nacional.
O percentual aumenta significativamente na faixa etária dos 65 anos ou mais, atingindo 30,6%, com destaque para as mulheres indígenas, que representam 33,3% entre os idosos com deficiência.
O Nordeste também lidera nesse recorte, com 42,4% da população indígena com deficiência vivendo na região.
Em termos de raça e cor, a maioria das pessoas com deficiência se identifica como parda (6,4 milhões) ou branca (6,1 milhões). Pessoas pretas representam cerca de 1,8 milhão, seguidas por indígenas (78 mil, considerando apenas cor ou raça) e pessoas amarelas (55 mil).
Os dados reforçam a importância de políticas públicas específicas para garantir inclusão e acessibilidade em uma sociedade que ainda lida com fortes desigualdades.

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