Em uma reviravolta inesperada, a oposição conquistou a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS. O senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente da comissão com 17 votos, superando o senador Omar Aziz (PSD-AM), que obteve 13 votos e era apontado como favorito para liderar os trabalhos. A vitória de Viana resultou de uma articulação de última hora que garantiu três votos a mais para a oposição, surpreendendo a base governista.
A CPI do INSS foi criada para investigar denúncias de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, que, segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), podem ter causado prejuízos superiores a R$ 6,4 bilhões. “Quero agradecer cada um dos 17 senadores. Foi uma articulação dos últimos dias”, afirmou Viana logo após ser eleito, destacando o esforço político que resultou na conquista da presidência.
Inicialmente, a correlação de forças indicava vantagem para o governo, com apenas oito das 30 vagas de titulares ocupadas pela oposição entre Senado e Câmara. Com Carlos Viana no comando, entretanto, o Palácio do Planalto poderá enfrentar derrotas estratégicas durante o andamento da investigação. Entre os pontos de maior risco estão possíveis convocações do ministro da Previdência, Carlos Lupi, de seu sucessor Wolney Queiroz, do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, e do ex-chefe do instituto Alessandro Stefanutto.
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A base governista pretende vincular as irregularidades a gestões anteriores, em especial ao período do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com petistas como Paulo Pimenta (PT-RS), Alencar Santana (PT-SP), Rogério Carvalho (PT-SE) e Fabiano Contarato (PT-ES) liderando a narrativa em defesa do governo. Parlamentares ligados a Bolsonaro também pressionam pela convocação de Frei Chico, irmão do presidente Lula e ligado ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), embora ele não seja investigado.
O colegiado da CPI conta com 15 senadores e 15 deputados titulares, incluindo nomes como Eduardo Braga (MDB/AM), Renan Calheiros (MDB/AL), Professora Dorinha Seabra (União/TO), Plínio Valério (PSDB/AM), Damares Alves (Republicanos/DF), Coronel Chrisóstomo (PL/RO), Adriana Ventura (Novo/SP) e Paulo Pimenta (PT/RS). A composição reflete a diversidade política e o potencial de debates acalorados nos próximos meses de investigação.

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