O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou que cogita abrir mão definitivamente de seu mandato na Câmara dos Deputados. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o parlamentar afirmou que seu retorno ao Brasil só ocorrerá quando, segundo ele, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “não tiver mais força para prendê-lo”. A declaração escancara o embate entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o Judiciário brasileiro.
Licenciado desde março deste ano, Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos, alegando temer uma prisão arbitrária determinada por Moraes. Na ocasião do afastamento, não havia nenhuma ordem de prisão contra ele. No entanto, em maio, o cenário se agravou: a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro autorizou a abertura de um inquérito que apura a atuação do deputado em articulações com empresários e congressistas norte-americanos com o objetivo de sancionar autoridades brasileiras, incluindo o próprio Moraes, além de integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público.
Na entrevista, Eduardo justificou sua permanência no exterior como um “sacrifício em nome da liberdade”. “Eu tô me sacrificando, sacrificando o meu mandato para levar adiante a esperança de liberdade”, afirmou. A fala evidencia o discurso político adotado por aliados do ex-presidente Bolsonaro, que frequentemente acusam o STF de abusos de autoridade, especialmente em casos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A investigação em curso no Supremo integra um conjunto de apurações que envolvem figuras ligadas ao bolsonarismo e suspeitas de tentativa de abalar instituições democráticas. No caso de Eduardo Bolsonaro, as suspeitas incluem a articulação de sanções internacionais contra autoridades brasileiras, o que pode configurar crime contra a soberania nacional.
O possível abandono do mandato por parte de Eduardo é um movimento raro e com peso político significativo, já que ele foi um dos deputados mais votados do país. Caso formalize a renúncia, a vaga será assumida por um suplente do PL-SP. Enquanto isso, a situação do parlamentar segue sob análise do Supremo e da PGR, em um contexto de crescente tensão entre membros do antigo governo e o Judiciário.

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