BRASÍLIA (DF) - O Política Diversa apurou nesta quinta-feira, 9, que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS deve votar, na próxima semana, a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), ele se tornou o novo alvo de parlamentares da oposição, que o apontam como figura influente dentro da entidade investigada por fraudes previdenciárias.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a convocação é “urgente” e uma das prioridades do colegiado. “Precisamos votar a vinda do chamado Frei Chico, irmão do presidente Lula, para que ele esclareça sua participação nas decisões do sindicato”, disse o parlamentar.
A declaração foi feita durante a oitiva de Milton Baptista de Souza Filho, presidente do Sindnapi, que permaneceu em silêncio durante toda a sessão desta quinta-feira (9/10), amparado por habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, do STF. O gesto fortaleceu o discurso da oposição pela convocação de Frei Chico.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), cobrou de forma direta: “Está na sua mão a vinda do irmão do presidente da República para depor nesta comissão.” A fala gerou reação imediata do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que rebateu: “Quem decide se alguém virá aqui ou não é o plenário da CPMI.”
A votação do requerimento está prevista para a próxima quinta-feira (16/10). Segundo Viana, a convocação seria fundamental para garantir “transparência e equilíbrio” nas apurações.
Embora o Sindnapi seja alvo de investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), Frei Chico não é formalmente investigado. Mesmo assim, sua atuação na entidade desperta o interesse da oposição, que vê na convocação uma chance de ampliar o escopo das investigações para nomes próximos ao governo.
Silêncio sob orientação
O silêncio de Milton Baptista dominou a sessão da CPMI. Sob orientação de seu advogado, Bruno Borragine, o dirigente se recusou a responder perguntas — inclusive as mais simples —, temendo ser tratado como investigado. O relator Alfredo Gaspar criticou a postura: “Se continuar calado, será inevitável a vinda de Frei Chico.”
A defesa argumentou que o silêncio foi adotado por precaução, enquanto a base governista classificou as pressões como uma tentativa de intimidação política.
O Sindnapi é suspeito de envolvimento em um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A entidade mantém convênios com a União e já foi alvo de operações da PF.
Outros desdobramentos
A base governista conseguiu barrar o pedido de quebra de sigilo bancário de Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por 17 votos a 13. O autor do requerimento, Carlos Jordy (PL-RJ), afirmou que Boudens teria recebido R$ 3 milhões da empresa Arpar, suspeita de ligação com fraudes previdenciárias. “Querem transformar a CPMI em palco de disputa política”, reagiu Paulo Pimenta.
Também foi aprovada a convocação do empresário Danilo Trento, ligado ao Grupo Total Health, e um novo depoimento do advogado Eli Cohen, autor da denúncia que deu origem à comissão. Parlamentares alegaram que o primeiro depoimento de Cohen foi “inconclusivo e contraditório”.

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