O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) afirmou nesta quinta-feira que o depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, à CPMI revelou “confiança excessiva” na defesa e sinais de uma trama que, segundo ele, alcança diferentes esferas de poder. O parlamentar citou indícios de lavagem de dinheiro e a participação de políticos, integrantes do Judiciário e do Executivo no esquema de descontos ilegais em benefícios do INSS.
“Ele está muito confiante nos advogados criminais que contratou. O Cleber Lopes é um advogado fenomenal, que já defendeu Chiquinho Brazão. Tem um poder financeiro muito grande, que outros investigados não tiveram. Ele está confiante no esquema que montou, que envolve muita gente, envolve políticos, envolve o Judiciário, envolve o Executivo. É muita gente enrolada, envolve muitos recursos”, disse Luiz Lima.
O deputado destacou que a fraude seria evidente até para quem não acompanha de perto os trabalhos da comissão.
“Não precisa ser especialista para perceber que não tem como dar certo um negócio que depende de roubo para acontecer. Noventa e sete por cento dos aposentados não autorizaram esses pagamentos. É uma lavagem de dinheiro com prestação de serviços que não corresponde ao número de filiados. Se vivêssemos em um país sério, nem precisaria de CPMI”, afirmou.
Ao comparar Antunes a outros depoentes, Lima disse que o empresário mostrou tranquilidade diante das acusações.
“Eu vi funcionários, delegados da Polícia Federal, defensores públicos e até ex-ministros nervosos. O Rubens, que foi funcionário dele, estava envergonhado. Já o Careca estava confiante, amparado. É muita criatividade para uma atividade que pode ser lícita ou ilícita, mas é muito difícil acreditar.”
Para o parlamentar, a comissão cumpre papel pedagógico ao expor a complexidade do caso.
“Não é um episódio isolado. Existe uma engrenagem sofisticada de lavagem de dinheiro que se retroalimenta. E a CPMI, ao trazer isso a público, mostra como o crime se infiltra em diferentes instâncias do poder”, avaliou.
Reação da OAB
As declarações de parlamentares sobre o advogado Cleber Lopes, que representa Antunes, provocaram reação da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF). O presidente da seccional, Paulo Maurício Siqueira, o Poli, classificou como inadmissíveis os ataques à atuação da defesa.
“É inadmissível que um advogado seja calado, seja restringido em sua voz. É a defesa da cidadania que está em jogo, e o Estado democrático de direito exige respeito ao devido processo legal”, disse.
Em vídeo divulgado pela entidade, Poli acrescentou que a Ordem não aceitará “qualquer ataque a honorários ou vinculação e criminalização da advocacia”. Segundo ele, a OAB tomará “medidas judiciais necessárias para preservar as prerrogativas da advocacia”.

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