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Terça-feira, 21 de Abril de 2026
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Estimativa da CNI sobre perdas do AM com tarifa dos EUA é exagerada, apontam análises

Confederação apontou perda de US$ 1,1 bilhão, mas valor real é de apenas US$ 1,1 milhão; especialistas e governo estadual minimizam efeitos sobre o Polo Industrial de Manaus

Estimativa da CNI sobre perdas do AM com tarifa dos EUA é exagerada, apontam análises
Foto: Reprodução FolhaPress
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A estimativa de que o Amazonas perderia US$ 1,145 bilhão com a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, divulgada inicialmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi rapidamente contestada por especialistas e pelo próprio governo estadual. O valor correto, conforme admitido pela própria entidade, é US$ 1,145 milhão, refletindo a baixa dependência do estado nas exportações ao mercado norte-americano.

Apesar de produtos fabricados no Amazonas como motocicletas, óleos e peças industriais estarem na lista dos atingidos, a realidade é que as exportações do estado aos EUA representam apenas 10,3% do total, segundo levantamento da CNI. Já as importações, sim, têm peso expressivo: 96,6% são insumos para a indústria local, o que levanta preocupação com a alta do dólar, mas não necessariamente com a tarifa em si.

“O jogo em curso não é puramente econômico, é geopolítico e geoeconômico”, afirma o especialista em logística Augusto César Barreto. Ele lembra que o Amazonas exportou cerca de US$ 99,8 milhões para os EUA em 2024, enquanto importou quase 15 vezes mais: US$ 1,467 bilhão, principalmente em insumos como copolímeros de etileno, polietileno e estireno, essenciais para a indústria eletroeletrônica e automotiva. Mas, segundo Barreto, há alternativas viáveis fora dos EUA, e a Zona Franca de Manaus já tem experiência em mudar rapidamente de fornecedores.

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Além disso, o especialista destaca que a maior parte da produção local é voltada ao mercado interno brasileiro, reduzindo a sensibilidade da economia amazonense a oscilações no comércio exterior. Mesmo a possível taxação de motocicletas — principal produto exportado para os EUA — poderia ser compensada por redirecionamento para América do Sul e mercado nacional. Barreto também critica inconsistências nos números apresentados pela CNI.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Amazonas (Sedecti) também rebateu o levantamento, enfatizando que apenas 1,5% do faturamento do estado vem de exportações e que menos de 0,15% está vinculado ao mercado norte-americano. Assim, tanto o setor produtivo quanto o governo estadual tratam o tarifaço como um movimento com efeito simbólico limitado sobre a economia amazonense.

FONTE/CRÉDITOS: Texto: Maria Souza
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