Manaus (AM) — A produção de conhecimento científico integra as estratégias federais de enfrentamento aos impactos ambientais associados ao garimpo na Amazônia. Coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Projeto Rede de Monitoramento Ambiental da Terra Indígena Yanomami e Alto Amazonas busca avaliar a presença de substâncias químicas de interesse, especialmente aquelas relacionadas à utilização de mercúrio na atividade garimpeira.
A iniciativa prevê monitoramento em 41 pontos: 26 no território indígena Yanomami e 15 em unidades de conservação federais adjacentes, localizadas em Roraima.
O trabalho envolve coleta e análise de água, sedimentos e pescado, permitindo reunir informações sobre a qualidade ambiental e subsidiar propostas de ações preventivas ou corretivas.
Investimento e cooperação institucional
O orçamento total informado pelo Ibama é de R$ 8.617.610,00, com recursos do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do próprio Instituto. O projeto teve início em novembro de 2023 e possui conclusão prevista para novembro de 2027.
Entre as instituições participantes estão o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), responsável por atividades de coleta e análise, o Ministério dos Povos Indígenas, a Secretaria de Saúde Indígena, a Funai e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), cada qual conforme suas atribuições institucionais.
Da coleta ao conhecimento científico
A análise de água, sedimentos e pescado permite investigar diferentes aspectos da dinâmica ambiental do mercúrio. A água pode fornecer informações sobre condições ambientais no momento da amostragem. Os sedimentos ajudam a investigar a presença e a distribuição de contaminantes. O pescado, por sua vez, é relevante para avaliar a ocorrência de substâncias na cadeia alimentar.
O planejamento prevê três campanhas de coleta por ponto, possibilitando observar variações ao longo do acompanhamento. É importante distinguir a previsão de amostragem da execução efetivamente concluída. O número de 41 corresponde aos pontos definidos no projeto, não a 41 locais com resultados laboratoriais finais necessariamente publicados.
Relevância para a proteção da Amazônia
A experiência contribui para ampliar o conhecimento sobre os efeitos da atividade garimpeira e os desafios de monitoramento ambiental em regiões de difícil acesso. Embora os pontos de coleta divulgados estejam em Roraima, o projeto oferece referências metodológicas importantes para discussões sobre monitoramento e proteção dos rios amazônicos, inclusive no Amazonas.
O geógrafo, analista ambiental e superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, poderá comentar a importância da integração entre pesquisa e fiscalização: “Não podemos esquecer o que o povo Yanomami já passou com sérios problemas relacionados ao Garimpo ilegal em seu território. Continuar acompanhando a contaminação do solo e das águas é fundamental para registrarmos as consequências da poluição ambiental”
Ciência para orientar decisões
O projeto integra um conjunto mais amplo de ações federais de proteção territorial, diagnóstico ambiental e enfrentamento dos efeitos da exploração mineral ilegal. Os resultados das análises deverão ser interpretados tecnicamente antes de subsidiar conclusões sobre contaminação, exposição humana ou necessidade de intervenções.
A articulação entre fiscalização ambiental, pesquisa científica e participação das comunidades é essencial para produzir informações confiáveis e fortalecer a proteção dos territórios amazônicos.

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