A juíza Cristina Lazzari Souza, da Justiça Federal do Amazonas, negou nesta semana a absolvição sumária de dez réus acusados de crimes no extremo oeste do estado, entre eles Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, e Rubens Villar Coelho, conhecido como Colômbia. Os dois respondem pelo assassinato do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorrido em junho de 2022, no Vale do Javari.
Segundo a magistrada, “há elementos que apontam para a suposta prática dos delitos e para a participação dos acusados, o que impede a absolvição sumária”. Ela determinou a realização da audiência de instrução e julgamento nos dias 13, 14 e 15 de outubro de 2025, em Tabatinga, quando serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório dos réus.
Além de Pelado e Colômbia, são réus no processo Otavio da Costa de Oliveira, Eliclei Costa de Oliveira, Amarildo de Freitas Oliveira, Laurimar Lopes Alves, Jânio Freitas de Souza, Manoel Raimundo Correia, Francisco Lima Correia e Paulo Ribeiro dos Santos. Eles são acusados de atuar em Atalaia do Norte, Benjamin Constant e na Terra Indígena Vale do Javari, em atividades comandadas por Colômbia.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o grupo formava uma organização criminosa com divisão de tarefas, dedicada à pesca e caça ilegais, além do contrabando de produtos para a Colômbia e o Peru. A investigação também aponta que Colômbia fornecia munições, embarcações e apoio logístico ao grupo envolvido na execução dos homicídios.
As apurações concluíram que a morte de Bruno e Dom estaria ligada às ações fiscalizatórias do indigenista, que prejudicavam os interesses econômicos do grupo criminoso. Colômbia foi preso em julho de 2022 por uso de documento falso e, em janeiro de 2024, transferido para um presídio federal, onde permanece sob custódia.

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