O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) concluiu, na última quarta-feira, 13, em Florianópolis (SC), a terceira etapa do ciclo de Seminários de Política Nacional e Acesso à Justiça para a Juventude Indígena. A programação, realizada entre os dias 10 e 13, reuniu aproximadamente 70 representantes dos povos Kaingang, Xokleng e Guarani, com o objetivo de fortalecer a participação social e construir políticas públicas específicas para jovens indígenas. O encontro contou com o apoio da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul) e da Comissão Guarani Yvyrupa.
Segundo a coordenadora de Políticas para a Juventude Indígena do MPI, Larissa Pankararu, a iniciativa buscou garantir o protagonismo dos jovens na formulação de ações que considerem suas necessidades e particularidades. Ela ressaltou que a política voltada a esse público não pode ser genérica, mas sim fruto de uma construção coletiva e intercultural, valorizando saberes ancestrais e reconhecendo os impactos históricos da colonização. “Não podemos ter uma política pública universal. Nosso trabalho é construir coletivamente, respeitando a diversidade dos mais de 305 povos e suas realidades distintas”, afirmou.

Para a jovem Ana Flávia Kaingang, do território indígena Cacique Doble (RS), o evento representou um espaço de troca e fortalecimento. “Esses encontros são fundamentais para ampliar a visão da nossa juventude e conectar realidades distintas. Voltamos para nossas comunidades com mais conhecimento e mais força para contribuir na formulação de políticas que realmente nos atendam”, avaliou.
O participante Luiz Fernando Xokleng destacou o caráter histórico do encontro. “É algo que não só nós, mas nossos antepassados buscavam: essa oportunidade de escuta e participação. Foi um momento simbólico e estratégico para apresentarmos nossas demandas e ideias”, declarou.
O ciclo de seminários, que percorre as cinco regiões do Brasil, visa mapear prioridades em áreas como saúde, educação, segurança, sustentabilidade, territórios, cultura e identidade. As propostas discutidas serão reunidas em um documento elaborado pelo MPI, em parceria com a Secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas (Seart), o Departamento de Línguas e Memórias Indígenas (Deling) e a Coordenação de Política para a Juventude Indígena (COPJI). O material será encaminhado a estados e municípios, além de embasar ações conjuntas com ministérios como Educação, Saúde e Cultura.

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