Os relacionamentos tradicionais estão deixando de ser a única referência para os brasileiros. Uma pesquisa divulgada pelo aplicativo Gleeden revelou que 53% dos brasileiros já tiveram algum tipo de experiência não monogâmica. O dado indica uma mudança significativa nos padrões afetivos e sexuais, refletindo o crescimento de práticas como relações abertas, poliamor e poligamia no país.
Segundo o estudo, os modelos mais praticados são as relações abertas (29%), seguidas por infidelidade consentida (28%), polifidelidade (26%), ménage à trois (25%) e poliamor (20%). Apesar de ainda ser tabu para parte da sociedade, 42% dos entrevistados avaliam a não monogamia como uma experiência positiva, contra 34% que a consideram negativa. A liberdade emocional e sexual (36%) e a transparência entre os parceiros (38%) são as qualidades mais citadas por quem adere ao modelo.
Ainda assim, adotar um relacionamento fora dos padrões tradicionais não é simples. Crenças pessoais e questões éticas foram apontadas como o maior desafio por 54% dos participantes. Outros obstáculos citados foram o estabelecimento de limites e respeito mútuo (41%) e a comunicação eficaz entre os envolvidos (38%) — elementos essenciais para a manutenção de qualquer modelo relacional, especialmente os não convencionais.
A pesquisa também revelou que 51% dos entrevistados definem a não monogamia como “relacionamento aberto”, o que mostra que, para a maioria, a abertura sexual com consentimento é o primeiro passo na desconstrução da monogamia tradicional. No entanto, há ainda modelos mais complexos, como o poliamor, em que vínculos afetivos múltiplos são estabelecidos de forma consensual.
O levantamento reflete uma transformação cultural em curso no país, onde modelos afetivos alternativos deixam de ser exceção para ocupar lugar na realidade cotidiana, Ainda que a adaptação não seja simples e envolva desafios emocionais, a tendência indica uma sociedade cada vez mais aberta a formatos diversos de amar e se relacionar.

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