Após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil a partir de 1º de agosto, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) se manifestou sobre possíveis impactos à economia do Amazonas. Segundo o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, os efeitos diretos ao Polo Industrial de Manaus (PIM) devem ser mínimos. “Do ponto de vista das exportações do PIM, esse volume é quase que insignificante para o seu faturamento”, afirmou.
A medida foi oficializada em carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e está sendo interpretada por analistas internacionais como uma retaliação política. Na carta, o republicano criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificando o processo como uma “vergonha internacional” e justificando as tarifas como resposta a uma suposta instabilidade institucional no Brasil.
Apesar da repercussão internacional, a Suframa adotou um tom de cautela e confiança. Bosco Saraiva destacou que, embora a decisão de Trump gere apreensão em setores exportadores, o governo federal tem capacidade de negociar e reverter o cenário. “A cautela e a prudência devem ser o norte do nosso comportamento. Acreditamos fortemente na capacidade de negociação do nosso governo e do nosso ministro”, declarou.
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O argumento apresentado por Trump na carta, de que o Brasil impõe barreiras comerciais aos produtos norte-americanos e gera déficits à balança comercial dos EUA, foi contestado por dados do Ministério do Desenvolvimento. Desde 2009, o Brasil tem acumulado déficits sucessivos na relação comercial com os Estados Unidos, o que significa que importa mais do que exporta para o país norte-americano.
Enquanto setores da economia brasileira mais dependentes do mercado externo avaliam possíveis prejuízos, a Zona Franca de Manaus segue relativamente protegida. O Polo Industrial tem como foco principal o mercado interno e sua relação comercial com os EUA é limitada. Ainda assim, a Suframa acompanhará os desdobramentos e reforçará o diálogo com os ministérios responsáveis para preservar os interesses da região.

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