O brasileiro destina, em média, 25,83% do orçamento ao pagamento do aluguel, segundo levantamento do Quinto Andar em parceria com o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado nesta quarta-feira (3). O peso, porém, é muito maior entre as famílias de baixa renda, que chegam a comprometer quase 50% do que ganham com a moradia.
De acordo com o estudo, quanto menor a renda, maior a fatia destinada ao aluguel. Entre famílias que vivem com até R$ 1.908 por mês, 48,12% da renda é gasta com o pagamento mensal. Já nos lares com renda acima de R$ 23.850, o gasto médio é de R$ 3.748,39, mas representa apenas 11,55% do orçamento, revelando a disparidade do impacto desse custo entre classes sociais.
Em São Paulo, o peso do aluguel também varia conforme a renda. Famílias que recebem até R$ 1.908 gastam, em média, R$ 502,40 mensais, o que equivale a 44,32% do orçamento. Nas rendas mais altas, apesar de o valor absoluto do aluguel ser o maior do país, o impacto no orçamento cai consideravelmente. Segundo o Quinto Andar, isso reflete tanto o alto custo de vida na capital paulista quanto a maior capacidade de absorção dos gastos pelas famílias de maior renda.
No Rio de Janeiro, o cenário é ainda mais crítico para os mais pobres. O aluguel custa em média R$ 549,64 para famílias de baixa renda, contra R$ 404,55 da média nacional. Nesse caso, o gasto chega a consumir 65,12% da renda mensal, tornando-se o mais alto do país. O levantamento teve como base informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE.
Para Lucas Limas, diretor-geral do Quinto Andar, o Rio de Janeiro enfrenta um cenário particular, influenciado pela alta demanda e oferta limitada, além da força do turismo. “É uma localidade especialmente líquida, onde a procura por imóveis é alta e a oferta restrita, o que pressiona os preços e explica parte da disparidade observada”, destacou.

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