O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que o pastor Silas Malafaia não poderá se comunicar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), além de proibi-lo de sair do Brasil. O líder religioso entregou seus passaportes às autoridades e terá seus sigilos fiscal, bancário e telefônico quebrados. A Polícia Federal também está autorizada a acessar os aparelhos eletrônicos apreendidos.
Na noite de quarta-feira (20), Malafaia prestou depoimento à PF e, ao deixar a sede policial, foi recebido por apoiadores. Em fala à imprensa, criticou duramente a decisão de Moraes. “Apreender meu passaporte? Eu não sou bandido. Vai descobrir o quê no meu telefone? Dei a senha porque não tenho medo de nada”, disse. O pastor acusou o STF de censura e afirmou que não irá se calar: “Vai ter que me prender para me calar”.
As medidas contra Malafaia ocorreram no mesmo dia em que a Polícia Federal indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro por coação a autoridades no processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado. Segundo a PF, pai e filho teriam pressionado instituições para interferir no andamento das apurações e até articulado para que o Brasil fosse alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos.
A decisão de Moraes se baseia em mensagens atribuídas a Malafaia, nas quais ele orientaria Bolsonaro a vincular a suspensão de tarifas comerciais norte-americanas a uma anistia ampla a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Em uma delas, o pastor sugere “pressionar o STF” e afirma que “a próxima retaliação vai ser contra ministros e suas famílias”.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Malafaia atuou como “orientador e auxiliar” das ações de Jair e Eduardo Bolsonaro, ajudando a construir uma estratégia de intimidação contra ministros do STF e de manipulação da opinião pública por meio das redes sociais. Moraes destacou que há “fortes evidências” de que o pastor integra uma “campanha criminosa orquestrada” semelhante às chamadas milícias digitais.
A Polícia Federal terá 15 dias para apresentar um relatório parcial sobre o material apreendido. Malafaia, por sua vez, nega irregularidades e afirma ser vítima de perseguição política. O pastor, que organizou ato em apoio a Bolsonaro no início de agosto, voltou a acusar Moraes e o governo Lula de “usar a Polícia Federal para calar opositores”.

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