Do berço da Amazônia direto para a capital do país. O primeiro e o segundo lugar da 2ª edição do Prêmio de Fotos e Vídeos da Anatel foram conquistados por dois artistas nortistas: o paraense Josué Castilho França e a amazonense Carolina Costa, colaborada do Diversa AM. Ambos romperam a bolha geográfica e simbólica para levar à Brasília a potência da arte produzida no Norte, com narrativas próprias e imagens que dialogam com o Brasil profundo — aquele que por vezes é silenciado, mas que pulsa com força.
A premiação, criada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), busca aproximar a sociedade da temática da conectividade e da presença da telecomunicação na vida cotidiana.
Em sua segunda edição, o prêmio teve como mote “Mundo digital conectando vidas”, e atraiu participantes de todo o país com olhares diversos sobre a relação entre pessoas, territórios e tecnologia.
Foi nesse contexto que Josué Castilho, fotógrafo e artista visual da Vila do Cocal, na Ilha do Marajó (PA), inscreveu a imagem “Conexão Ribeirinha”.
A fotografia retrata a vida e o cotidiano de comunidades que, mesmo afastadas dos grandes centros, também se conectam ao mundo digital — à sua maneira, com sua estética e cultura.
“Quando eu li o edital e vi que o tema era conectividade no mundo digital, eu quis trazer a identidade cabocla ribeirinha da Amazônia como visualidade para esse festival”, conta Josué. “Essa fotografia é um testemunho vivo, mas mais do que isso: é um manifesto. Eu manifesto ali a nossa ancestralidade, nossa existência, nossa resistência”, declara, emocionado
Para ele, estar em Brasília vestindo sua roupa colorida, com chapéu de palha, representa mais que estilo: é identidade. “O caboclo marajoara veio todo de laranja cenoura porque nós queremos ser vistos. Queremos ser lembrados. Nós precisamos furar essa bolha. Isso tudo também é nosso”.
Ao seu lado no pódio estava Carolina Costa, fotógrafa e jornalista de Novo Airão (AM), que conquistou o segundo lugar com uma imagem feita em Lábrea, no sul do Amazonas.
A foto mostra o registro das intensas queimadas que atingiram a região — um retrato sensível da realidade de quem convive com a destruição ambiental e encontra na imagem uma forma de mobilização e denúncia.
“A foto foi tirada após um vizinho que, diante das queimadas, compartilhou no grupo da comunidade o que estava acontecendo para chamar os bombeiros mais rápido. Essa ação simples mostra o quanto o olhar de quem vive ali é potente. E isso, para mim, é essencial: mostrar o nosso lugar com os nossos olhos”, explica Carolina.
Para ela, o prêmio representa não só um reconhecimento profissional, mas também uma vitória coletiva de mulheres e nortistas em um cenário ainda dominado por olhares masculinos e do sudeste.
“É sempre um prêmio muito masculino. Fotografia ainda é um espaço majoritariamente ocupado por homens. Então ter dois nortistas — um homem e uma mulher — entre os premiados mostra que estamos ocupando esses espaços da forma certa, com nossas pautas, nosso olhar”, afirma.
Com carreira profissional em ascensão desde 2018, Carolina já foi indicada a outros prêmios importantes. Em sua trajetória, o engajamento social e o compromisso com narrativas reais têm sido constantes.
Além da premiação, os dois fotógrafos participam de uma exposição coletiva na sede da Anatel, em Brasília. O espaço está aberto ao público, com as imagens finalistas do concurso dispostas em painéis no mezanino da agência.
Arte como ponte
Criado com a proposta de aproximar a sociedade da atuação da Anatel, o prêmio busca transformar a percepção das pessoas sobre o papel das telecomunicações no cotidiano brasileiro. A iniciativa convida fotógrafos e videomakers de todo o país a refletirem, por meio da arte, sobre os impactos da conectividade na vida das pessoas.
A segunda edição do concurso, intitulada “Mundo Digital Conectando Vidas”, teve como foco o poder das conexões humanas em um mundo cada vez mais atravessado por tecnologias. O prêmio também teve o apoio de empresas do setor de telecomunicações e contou com uma exposição das obras selecionadas no mezanino da sede da Anatel, em Brasília.

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