Um vídeo publicado nas redes sociais reacendeu a indignação sobre práticas racistas ainda presentes na política do Piauí. Nele, a prefeita cassada de Piripiri, Jôve Oliveira, aparece com o rosto artificialmente escurecido ao comentar o Dia Nacional da Consciência Negra. A prática utilizada remete ao blackface, recurso historicamente ofensivo, racista e associado à desumanização de pessoas negras. A ex-gestora aparece defendendo “tratamento igualitário”, mas o efeito visual gerou forte repúdio nas redes.
A gravação, feita com uma iluminação que acentua ainda mais o contraste da pele escurecida, termina com Jôve limpando o rosto. Após a repercussão negativa, o vídeo foi rapidamente removido.
A polêmica ganhou ainda mais projeção porque a ex-prefeita foi recentemente cassada pela Justiça Eleitoral por abuso de poder, e o novo episódio reforça críticas sobre falta de responsabilidade pública e sensibilidade em temas de igualdade racial.
O blackface surgiu no século 19, quando artistas brancos pintavam o rosto de preto para caricaturar pessoas negras em espetáculos que reforçavam estereótipos. Embora amplamente reconhecida como prática racista, a estética ainda aparece em contextos de “homenagem”, apesar dos alertas de entidades de direitos humanos e organizações negras sobre seu caráter ofensivo.
O caso envolvendo Jôve Oliveira reacende o debate sobre a responsabilidade de figuras públicas ao tratar de pautas raciais. Para organizações do movimento negro, episódios como esse expõem o desconhecimento, ou descaso, de autoridades com temas que exigem respeito histórico, sensibilidade social e ações concretas de combate ao racismo.

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