A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado iniciou nesta quinta-feira (25) uma diligência nos municípios de Humaitá e Manicoré, no Amazonas, para apurar denúncias de abusos em operações da Polícia Federal (PF) realizadas na região. As ações, ocorridas na semana passada, resultaram na destruição de flutuantes, balsas e dragas utilizadas por garimpeiros familiares. Há ainda relatos de derramamento de milhares de litros de combustível no Rio Madeira, causando impactos ambientais.
O pedido de investigação foi feito pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que acusa a PF de ter conduzido a operação de forma desproporcional, colocando em risco a segurança da população ribeirinha. Ele afirma que crianças e famílias inteiras foram expostas a explosões e situações de pânico. “As imagens são estarrecedoras. Trabalhadores que vivem do pouco que conseguem extrair foram tratados como criminosos. Isso não pode se repetir”, disse.
A diligência conta também com a participação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da CDH, que se deslocou de Brasília para acompanhar as inspeções. A comitiva iniciou as visitas em comunidades de Humaitá e seguirá nesta sexta-feira (26) para Manicoré. “O importante é vir, ver o que acontece e fazer o relatório. O que fizeram foi uma atrocidade”, declarou Plínio Valério durante a visita.
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Segundo Damares, conselheiros tutelares de Humaitá e Manicoré relataram violações de direitos de crianças e adolescentes durante a operação. “Recebi relatos terríveis. Não respeitaram os direitos das crianças, dos adolescentes e de outros cidadãos. Vamos levantar todos os abusos, elaborar um relatório da comissão e encaminhá-lo inclusive a organismos internacionais”, afirmou.
As operações foram determinadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e envolveram, além da PF, órgãos ambientais como o Ibama. A ordem incluía a destruição ou inutilização de equipamentos usados na extração mineral irregular entre Rondônia e Amazonas. Após as diligências, a CDH deverá apresentar um relatório com recomendações a órgãos federais e internacionais para evitar novas violações.

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