O vereador de Manaus Rosinaldo Bual (Agir-AM) foi preso preventivamente nesta sexta-feira (3) durante a Operação Face Oculta, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). A investigação apura um esquema de rachadinha dentro da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Além dele, a chefe de gabinete também foi presa. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados judiciais, sendo dois de prisão e 17 de busca e apreensão.
Rosinaldo Bual, de 49 anos, nasceu em Manacapuru e construiu sua trajetória política em Manaus, onde foi eleito vereador pela primeira vez em 2020 e reeleito em 2024, com 7.892 votos. Atualmente, preside a 8ª Comissão de Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade da CMM. Antes da vida pública, trabalhou no Polo Industrial de Manaus, serviu como sargento do Exército e, desde 2005, atua como instrutor e perito de trânsito, além de empresário do setor de autoescolas.
Durante a operação, agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apreenderam uma pistola calibre .380, registrada em nome do vereador, localizada na casa de sua mãe. Também foram encontrados três cofres — em sua residência, gabinete e sítio. Bual se recusou a fornecer as senhas, e os equipamentos foram encaminhados para perícia. Segundo o coordenador do Gaeco, Leonardo Tupinambá, dentro deles havia grande quantidade de dinheiro em espécie e dois cheques que somavam R$ 500 mil.
De acordo com o MPAM, a investigação começou após denúncias sobre a alta rotatividade de servidores no gabinete do vereador. As apurações indicam que funcionários eram obrigados a devolver parte de seus salários a cinco membros da equipe, que posteriormente repassavam os valores à conta pessoal de Bual. O órgão também suspeita que parte do dinheiro obtido ilegalmente era utilizada em práticas de agiotagem. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 2 milhões nas contas bancárias do parlamentar.
O vereador responde por suspeita de peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Além disso, foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Ele e a chefe de gabinete foram levados ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde permanecem à disposição da Justiça enquanto o inquérito prossegue.

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