O Centro Espírita Vovó Maria do Rosário, localizado no Jardim Ingá, em Luziânia (GO), foi o primeiro terreiro do Entorno Sul a receber uma placa do projeto Terreiros de Direitos, iniciativa do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de Goiás voltada à proteção das comunidades tradicionais de matriz africana e ao combate ao racismo religioso.
A entrega foi marcada por um encontro entre representantes da instituição e lideranças religiosas. Segundo Pai Edivaldo de Oxum, sacerdote do centro, a iniciativa representa um avanço no reconhecimento dos direitos dos povos de terreiro e na transformação de reivindicações históricas em ações concretas.
“Para nós, do povo de matriz africana, receber essa placa do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública é de muita importância, porque nós somos resistência. Nós resistimos todos os dias”, afirmou.
De acordo com o sacerdote, a proposta é que todos os terreiros de Goiás recebam a placa, como forma de reforçar a proteção dessas comunidades e o reconhecimento de seus direitos.
Pai Edivaldo explicou que a iniciativa surgiu a partir de reivindicações apresentadas por lideranças religiosas em reuniões com o Ministério Público Federal e em encontros on-line com representantes do Ministério da Igualdade Racial. A proposta foi acolhida pela Defensoria Pública e incorporada ao projeto.
“Para nós, como sacerdotes e líderes religiosos, é muito importante estarmos na luta, participando de várias reuniões para que as nossas ideias e reivindicações saiam do papel e se tornem realidade”, disse.

O projeto Terreiros de Direitos busca aproximar as instituições públicas das comunidades tradicionais de matriz africana, promovendo o acesso à Justiça, à cidadania e à garantia de direitos. A iniciativa também chama a atenção para a necessidade de enfrentar a intolerância religiosa e a discriminação contra práticas e tradições afro-brasileiras.
Para as lideranças religiosas, os terreiros são espaços de fé, acolhimento, solidariedade e preservação da ancestralidade e da cultura afro-brasileira.
A entrega da placa ao Centro Espírita Vovó Maria do Rosário marca, segundo Pai Edivaldo, um momento importante para as comunidades de matriz africana no estado. “A nossa fé merece respeito, a nossa história merece reconhecimento e os nossos direitos precisam ser garantidos”, declarou.

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