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Segunda-feira, 11 de Maio de 2026
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Trançados do Arapiuns: a importância do artesanato na memória coletiva e saberes ancestrais para comunidades

Trançados é uma referência ao trabalho artesanal de trançar as palhas do tucumanzeiro, palmeira nativa da amazônica, de onde se tira a fibra para fazer o artesanato

Trançados do Arapiuns: a importância do artesanato na memória coletiva e saberes ancestrais para comunidades
Reprodução/Artesol
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A Associação de Artesãos e Artesãs das comunidades de Vista Alegre, Nova Pedreira e Coroca - Trançados do Arapiuns(AARTA), no Estado do Pará, surgiu em 2004 com um grupo de 10 mulheres que buscavam através do artesanato da fibra do tucumã encontar uma possibilidade de geração de emprego e renda sustentável. Mas a associação formalizou-se legalmente somente em 2006 com 22 pessoas das três comunidades citadas acima, com o objetivo de fortalecer o trabalho dos artistas e fazer com que os produtos fossem valorizados no mercado.

Trançados é uma referência ao trabalho artesanal de trançar as palhas do tucumanzeiro, palmeira nativa da amazônica, de onde se tira a fibra para fazer o artesanato.  

Arapiuns se refere ao nome do rio que margeia as comunidades naquela região. O rio para as pessoas é fonte de vida, de sustento e que interliga uma comunidade a outra.

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“Então de 2006 para cá, a associação foi crescendo e aos poucos mesmo com as dificuldades a gente conseguiu parcerias com o SEBRAE que colaborou com oficinas e  cursos de design de acabamento de boa qualidade, de venda  e valorização do trabalho. Com isso, a associação foi crescendo e tivemos  a oportunidade de ganhar três vezes o prêmio Top 100, promovido pelo SEBRAE”, conta Luziete da Silva, artesã e sócia fundadora da AARTA.

Com o crescimento da associação, sentiu-se a necessidade de expandir e abranger outras comunidades, para que elas também pudessem ter fonte de renda e valorização de seus trabalhos. Com isso, atualmente fazem parte da AARTA, as comunidades de Vista Alegre, Nova Pedreira, Coroca, Vila Brasil, Tucumã, São Miguel, Vila Gorete e Nova Sociedade, todas se localizam na região do Arapiuns. No momento somam-se 140 associados, artesãos e artesãs que transformam a fibra da palha do tucumã em lindas mandalas, cestos, bolsas, utensílios domésticos e outras variedades, todos produzidos manualmente e pintados com tintas naturais feitos de raízes, folhas e frutos que dão aquele retoque colorido. Além desses produtos, os artistas confeccionam biojoias feitas de sementes e látex.

A comercialização desses produtos ocorre diretamente em Coroca, a comunidade dispõe uma loja de artesanato, e os principais clientes são os turistas que vão até a comunidade conhecer as riquezas naturais e culturais do local. É vendido também para outras cidades e comunidades, mediante encomendas.  

Da palha de tucumã ao artesanato

Reprodução Internet

Antes de ser transformada em artesanato, a fibra da palha do tucumã passa por vários processos, que vão desde sua retirada das árvores até os produtos prontos, todos feitos manualmente, com muita dedicação e amor. 

Segundo os artesãos, os passos são: primeiro, tem que retirar a guia do tucumanzeiro na mata e remover os espinhos, colocar para secar ao sol durante 3 dias, sendo na última noite passada no sereno, para ficar clara e macia.

As tintas são feitas de plantas, folhas, frutos, cascas e raízes que são cozidas junto com a fibra para tingi-las. Com jenipapo fazem fazem o preto, crajiru o vermelho, capiranga o bordô, urucum o laranja, com a raiz do açafrão fazem amarelo e da mistura do jenipapo com açafrão fazem os tons de verde.

Depois de todo esse processo iniciam-se às produções, arquitetadas ancestralmente, recordando os modos tradicionais artesanalmente, com grafismos simbólicos.

Histórico da comunidade de Coroca

Coroca é uma comunidade tradicional e antiga com mais de cem anos de existência, localiza-se à margem esquerda do rio Arapiuns, no projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) da Gleba Lago Grande. Esse tipo de assentamento é considerado “diferenciado”, pois, quando criado já havia pessoas morando no local.

O nome “Coroca” foi escolhido pelos primeiros moradores, pois as pessoas se referiam ao lugar, como “lago das Corocas”, esse nome remete ao pássaro Anu-Coroca que se juntavam todo fim de tarde em um lago na comunidade para cantarolar, hoje é o lago onde criam tartarugas. Assim, foi nomeada a comunidade que atualmente é composta por 23 famílias, consideradas extrativistas, ribeirinhas, artesãos e pescadores.

Foto: Marlon Rebello

 

A comunidade é conhecida pelo seu potencial turístico comunitário, que vem crescendo na região e fortalecendo as práticas coletivas e ancestrais, sem agredir a natureza. 

A comunidade é movimentada por turistas de todos os lugares que vão até o local conhecer o Lago das Tartarugas, meliponicultura, a culinária, o artesanato, é claro, as lindas praias de areia branca, além do majestoso e cristalino rio Arapiuns, que banha aquele lugar. Coroca e outras comunidades que trabalham com turismo de base comunitária são exemplos de que é possível ter geração de renda mantendo a floresta de pé.  

Qual a importância do artesanato para região?

Hoje o artesanato contribui para o fortalecimento da cultura ancestral e geração de renda sustentável nas comunidades do Rio Arapiuns, Luziete afirma: “hoje as pessoas trabalham porque teve a valorização do trabalho, as comunidades estão se organizando como associações, cooperativas. É importante ressaltar que a organização foi fundamental para a valorização das produções, e isso contribui para a geração de  renda,  porque aí o artesanato valorizado somou a renda das famílias”.

Ao trançar cada palha é trançado ancestralidade, memória coletiva, resistência, cultura e saberes tradicionais que são repassados de geração para geração, como forma de valorização e afirmação da identidade das comunidades e de um povo criativo e rico em conhecimentos, que não precisam destruir a natureza para produzir.

Além de serem produtos que geram renda que ficam nas comunidades, que é de suma importância para a permanência das pessoas e fortalecimento dos territórios, também é uma forma de dar continuidade nas práticas de seus antepassados, cada desenho feito tem suas simbologias e significados e todos estão interligados com a natureza.

Cada peça é única e todo processo de teçume é feito com muito cuidado e atenção,  cada palha entrelaçada remete a ideia de que “uma palha vai puxando a outra “, assim  é a vida em um território que tem sua essência coletiva e ancestral.

“Então, a importância na minha visão do artesanato para a região do Arapiuns, é a valorização da cultura que os nossos ancestrais deixaram para nós, para mim isso é cultura, e essa valorização do trabalho que hoje é reconhecido e de suma importância. O trabalho feito à mão é peça única, então, isso não tem preço, por isso deve ser valorizada. Essa é a riqueza da nossa região!”, finaliza Luziete da Silva.

 

 

FONTE/CRÉDITOS: Thaís Oliveira/Tapajós de Fato
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