Mais de 50 policiais militares cumprem prisão no Amazonas por envolvimento em crimes que variam de ameaça a homicídio. Ao todo, são 53 PMs e 6 ex-PMs detidos, sendo que alguns ainda aguardam julgamento definitivo. Mesmo assim, 36 continuam recebendo salários da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), levantando questionamentos sobre o impacto financeiro e ético dessa situação.
O caso mais antigo remonta a 2020, quando um policial foi preso por homicídio. Entre os detidos, 22 respondem pelo mesmo tipo de crime, incluindo o militar que cumpre atualmente a maior pena: 37 anos de prisão. Desde janeiro, a Polícia Militar instaurou 139 investigações internas pela Diretoria de Justiça e Disciplina e mais 68 pela Corregedoria do Sistema de Segurança Pública, totalizando 207 procedimentos para apurar condutas irregulares.
O promotor de Justiça Militar Igor Starling ressalta que a punição de policiais enfrenta obstáculos no trâmite judicial. “A possibilidade de absolvição é grande, pois o Código de Processo Penal Militar exige que o juiz se baseie nas provas colhidas em juízo. Ou seja, elementos obtidos na investigação precisam ser confirmados em audiência, garantindo contraditório e ampla defesa”, explicou. A ausência de testemunhas, mesmo diante de vídeos e outras evidências, também complica a condenação.
Enquanto aguardam julgamento, 36 policiais presos seguem recebendo remuneração, a menos que a Justiça determine a suspensão. A SSP-AM não divulgou o custo total dessa manutenção para os cofres públicos, o que reforça o debate sobre a morosidade do processo disciplinar e a eficácia dos mecanismos de controle interno da corporação.
Em defesa da instituição, o comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Klinger Paiva, afirmou que o número de presos é pequeno frente à tropa total. “Esse número não representa nem meio por cento da nossa força, composta por homens e mulheres que atuam diariamente para proteger a sociedade. São profissionais íntegros e honestos, que não compactuam com a conduta de alguns policiais que infringem a lei”, declarou.

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