Manaus- Dos sete candidatos que disputam o governo do Amazonas nas eleições gerais de 2026, apenas dois apresentam propostas específicas voltadas à população LGBTQIA+ em seus programas de gestão: Gilberto Vasconcelos (PSTU) e Isael Munduruku (Rede). As outras cinco candidaturas registradas no Estado, Cabo Daciolo (Mobiliza), David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD), Professora Maria do Carmo (PL) e Roberto Cidade (União), não fazem nenhuma menção relevante ao tema em seus documentos oficiais. O diagnóstico integra um levantamento nacional realizado pela Agência Diadorim, veículo especializado na cobertura dos direitos e políticas públicas para a comunidade LGBTQIA+.
No plano de governo de Gilberto Vasconcelos (PSTU), o levantamento identificou o compromisso com a criação de casas de acolhimento, garantia de atendimento integral de saúde sem discriminação, assistência voltada a pessoas trans e ações de qualificação profissional, geração de renda e emprego. Já o programa de Isael Munduruku (Rede) estabelece diretrizes para a saúde integral sem preconceito e medidas para garantir o respeito ao uso do nome social nos serviços públicos estaduais.
Os demais candidatos não incluíram ações, diretrizes ou menções diretas sobre orientação sexual, identidade de gênero e combate à LGBTfobia nos textos protocolados na Justiça Eleitoral.
Cenário na disputa presidencial
Na corrida pelo Palácio do Planalto, a pesquisa da Diadorim apontou que dois terços dos 12 concorrentes (66,7%) não fazem menções relevantes aos direitos LGBTQIA+ em seus planos de governo. Se enquadram nessa ausência Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Romeu Zema (Novo).
Entre os quatro presidenciáveis que registraram medidas específicas estão:
Edmilson Costa (PCB): Apresenta propostas de geração de emprego, além de acesso à saúde, moradia e educação para travestis e pessoas trans.
Hertz Dias (PSTU): Propõe a abertura de casas de acolhimento, atendimento à saúde de pessoas trans, saúde integral sem discriminação e programas de qualificação e trabalho.
Lula (PT): Inclui medidas de enfrentamento à violência contra pessoas LGBTQIA+ e ações de combate à discriminação no mercado de trabalho.
Samara (UP): Registra metas para casas de acolhimento, saúde para pessoas trans, prevenção à violência, combate à LGBTfobia e políticas de moradia.
Como o levantamento foi realizado
Segundo a Agência Diadorim, a apuração se baseou na coleta dos planos de governo de todas as candidaturas à Presidência da República e aos governos dos 26 estados e do Distrito Federal disponíveis no repositório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 15 de agosto de 2026. Ao todo, foram mapeadas 205 candidaturas, das quais 195 possuíam documentos acessíveis para consulta.
A metodologia consistiu no rastreamento de termos técnicos e específicos como (orientação sexual, identidade de gênero, transfobia, homofobia, pessoas trans, travestis, não binárias, intersexo e nome social), além de palavras de contexto como diversidade e discriminação.
Cada documento foi classificado de acordo com o teor da formulação: proposta específica, proposta genérica, apenas menção de passagem ou ausência total de abordagem sobre o tema. Em nível nacional, 51% de todos os planos analisados pela agência não citam a população LGBTQIA+. Leia o material completo em Agência Diadorim.

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