BRASÍLIA, DF – Diante do agravamento da violência contra lideranças tradicionais no Brasil, o Coletivo de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) apresenta, no próximo dia 12 de março, o projeto e o documentário "Cafuné".
O evento, que ocorrerá no Instituto Cervantes, marca a consolidação do Plano Emergencial de Proteção e Autocuidado das Mulheres Quilombolas, uma resposta política e coletiva à vulnerabilidade de defensoras de direitos humanos.
O Projeto Cafuné nasceu de uma urgência histórica: a execução de Maria Bernadete Pacífico, liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares (BA), em outubro de 2023.
O crime expôs o risco extremo enfrentado por mulheres que estão na linha de frente da defesa de seus territórios. A partir de uma escuta nacional realizada pela CONAQ, o projeto estruturou estratégias que unem proteção territorial, segurança comunitária e saúde mental.
“O cuidado, para nós, é uma prática política. O Plano Emergencial não é apenas sobre segurança física, é sobre garantir o direito de viver e lutar com liberdade”, afirma Sandra Pereira Braga, coordenadora executiva da CONAQ.
A iniciativa conta com o apoio estratégico da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e do Instituto Ibirapitanga. O evento em Brasília reunirá lideranças quilombolas de diversas regiões do País e representantes do alto escalão do Governo Federal, incluindo os Ministérios da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e Cidadania, além do INCRA.
O Documentário
O filme Cafuné registra o processo de construção desse plano, dando voz a mulheres que enfrentam ameaças e perseguições cotidianas. A exibição busca sensibilizar a opinião pública e pressionar o Estado por políticas de proteção mais efetivas e céleres para as populações quilombolas.
Para viabilizar pautas exclusivas e ricas em depoimentos, estarão no local lideranças quilombolas de diversos Estados. São mulheres que vivenciam na pele a resistência em biomas distintos e que trazem relatos fundamentais sobre a realidade dos territórios quilombolas no Brasil atual.


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