Diversa

Terça-feira, 26 de Maio de 2026
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Notícias Sociedade

“Crise do metanol no Brasil foi alimentada por brechas do próprio sistema”, alerta diretor da TRACIT

Jeff Hardy afirma que as intoxicações foram resultado de falhas na fiscalização e tributação excessiva, e não de uma epidemia de saúde pública

“Crise do metanol no Brasil foi alimentada por brechas do próprio sistema”, alerta diretor da TRACIT
Geraldo Magela/Agência Senado
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

O diretor-geral da Aliança Transnacional para o Combate ao Comércio Ilícito (TRACIT), Jeff Hardy, afirmou, em entrevista exclusiva ao Política Diversa, que a recente onda de intoxicações por metanol no Brasil não representa uma epidemia de saúde pública, mas sim um “incidente criminoso isolado”. Segundo ele, grupos ilegais exploraram vulnerabilidades na cadeia de fornecimento de etanol e metanol para produzir bebidas falsificadas e colocá-las no mercado informal. O caso, no entanto, expôs falhas estruturais na fiscalização química, na rastreabilidade de insumos industriais e no próprio sistema regulatório brasileiro.

“Nosso diagnóstico é claro: o Brasil não enfrenta uma crise sistêmica de saúde pública nem um problema generalizado de evasão fiscal. O que aconteceu foi que criminosos exploraram vulnerabilidades na distribuição de químicos”, afirmou Hardy. Ele elogiou o mercado formal de bebidas, que descreveu como “bem regulado e transparente”, mas destacou que o país precisa reforçar o controle sobre o etanol industrial e punir com rigor os infratores.

Durante audiência pública no Senado, o executivo destacou que o problema está nas brechas do sistema, e não nas empresas legais. “O foco agora deve ser identificar os pontos fracos, fortalecer os controles sobre a distribuição de químicos e comunicar à população que os produtos legais são seguros”, disse.

Publicidade

Leia Também:

De acordo com relatório da TRACIT, o álcool ilícito pode representar 27,7% do consumo global até 2025, e a América Latina é uma das regiões mais vulneráveis a esse avanço. Hardy explica que a combinação de alta tributação sobre bebidas legais e fiscalização frágil cria um ambiente propício à atuação de grupos criminosos. “Quando os impostos se tornam excessivos, os consumidores acabam buscando alternativas mais baratas e inseguras. Ao mesmo tempo, o controle insuficiente sobre o etanol industrial abre caminho para o desvio criminoso. Essa combinação é explosiva e favorece o mercado ilegal”, afirmou.

O especialista defende uma estratégia de equilíbrio, que envolva políticas tributárias mais justas e controle químico rigoroso, acompanhados de punições exemplares. Entre as medidas consideradas fundamentais pela TRACIT estão sistemas eficazes de rastreamento para monitorar o etanol industrial desde a produção até o uso final e a desnaturação, processo que adiciona substâncias químicas que tornam o produto impróprio para consumo humano. Segundo Hardy, países que adotaram esses mecanismos, com inspeções regulares e rotulagem transparente, conseguiram reduzir de forma significativa o desvio de produtos químicos para o mercado ilícito.

O que o Brasil precisa agora é de governança sólida e penalidades que realmente desestimulem a reincidência. O combate ao comércio ilegal não depende apenas de novas leis, mas de uma aplicação efetiva das normas já existentes”, afirmou o diretor.

Para Hardy, fiscalização e conscientização devem caminhar juntas. Ele afirma que a prioridade imediata é reforçar a atuação das autoridades, com investigações direcionadas para desmantelar as redes criminosas, ao mesmo tempo em que se educa o consumidor sobre os riscos de comprar produtos de origem duvidosa. “As pessoas precisam entender que, ao optar por fontes legais e confiáveis, tornam-se parte da solução”, observou.

O diretor da TRACIT cita Colômbia e Reino Unido como referências na prevenção ao desvio de etanol. A Colômbia aprimorou o monitoramento químico, enquanto o Reino Unido aposta em inspeções baseadas em risco e em uma cooperação estreita entre autoridades fiscais, aduaneiras e de saúde. Hardy acredita que o Brasil pode adaptar esses modelos e que a região deveria avançar rumo a uma cooperação sul-americana integrada, com regras harmonizadas e operações conjuntas de fiscalização. “O comércio ilícito não respeita fronteiras. Nossa resposta também não deve respeitá-las”, declarou.

Embora elogie o trabalho de instituições como Anvisa e Receita Federal, Hardy defende a criação de uma força-tarefa multissetorial para combater o desvio químico e o álcool falsificado, com troca de dados e coordenação entre as agências. Ele também chama atenção para o papel do consumidor na prevenção. “Cada compra feita de uma fonte segura é um ato de proteção coletiva. Quando o consumidor rejeita bebidas suspeitas e denuncia irregularidades, ajuda a enfraquecer o mercado ilegal”, ressaltou.

Para o diretor, a crise do metanol é mais um sintoma das falhas de governança no controle de produtos químicos do que um surto generalizado de saúde. “Não se trata de reagir apenas à tragédia, mas de construir um sistema mais resiliente. O Brasil tem estrutura institucional para isso — falta integração e vontade política”, avaliou.

Hardy conclui com um alerta que soa como crítica direta à gestão pública: “Enquanto houver brechas, o crime vai preenchê-las. O perigo não está no mercado legal, mas nas falhas do sistema que o cerca”.

FONTE/CRÉDITOS: Especial de Brasília - Para Política Diversa
Comentários:
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Veja também

King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )