Depois de mais de um ano em absoluto silêncio nas redes sociais e longe dos debates políticos, o deputado estadual Wanderley Monteiro (Avante) reapareceu com uma nota sobre saúde pública. O motivo do retorno foi o aumento de casos de Mpox (antiga varíola dos macacos) em Manaus. Segundo o comunicado, o Amazonas lidera o ranking nacional da doença, com 33 casos confirmados, seguido pelo estado do Pará.
A publicação, assinada pelo parlamentar e divulgada por meio de assessores e apoiadores, orienta a população a procurar atendimento médico caso apresente sintomas como febre, cansaço extremo e lesões pelo corpo. O gesto foi visto por muitos como uma tentativa de reaparecer no radar do eleitorado — mesmo que de forma tímida e terceirizada.

Monteiro está em seu primeiro mandato, mas já é conhecido mais pela ausência do que pela atuação. Sem presença nas redes, sem divulgação de projetos ou emendas, ele tem mantido um perfil extremamente discreto. O que chama atenção é que, apesar dessa invisibilidade, o deputado figura com frequência no uso da CEAP (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar) e nos salários mensais garantidos pelo cargo.
E o contraste fica ainda mais evidente diante de uma reportagem do portal Diversa, que revelou que mesmo afastado do debate público e das redes, Monteiro gastou mais de R$ 400 mil com serviços de publicidade institucional desde o início do mandato. A despesa, bancada com dinheiro público, reforça o paradoxo: um deputado que pouco se comunica com a população, mas investe pesado em divulgação.
A recente aparição levanta questionamentos inevitáveis: onde está a prestação de contas desse mandato? Que projetos estão sendo tocados? Quais posicionamentos tem adotado? E mais: o Ministério Público Estadual está acompanhando essa ausência de atuação? Enquanto o deputado ensaia um retorno, a população segue tentando lembrar em quem votou — e cobrando o que foi prometido.

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