Um grupo de deputados federais da oposição ocupou a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (6), em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Usando esparadrapos na boca, cerca de 15 parlamentares prometeram impedir os trabalhos do Congresso até que seja votado um pacote de medidas que inclui anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF) e o fim do foro privilegiado.
A manifestação, silenciosa na maior parte do tempo, teve momentos em que os deputados retiraram os esparadrapos para beber água ou se comunicar por telefone. Um dos protestantes é o deputado federal amazonense, Alberto Neto, que vem usando suas redes sociais para pedir anistia e o ‘fim da censura’ contra o ex-presidente.
Segundo o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), a oposição está disposta a manter a obstrução das atividades legislativas indefinidamente. “Não sairemos daqui até que os presidentes de ambas as Casas busquem uma solução para pacificar o Brasil”, declarou.
A iniciativa foi chamada pelos parlamentares de “pacote da paz” e, segundo eles, seria uma forma de reabrir o diálogo entre os Três Poderes. No entanto, o tom adotado foi de ultimato: ou as pautas são votadas, ou as sessões não acontecerão. O protesto desta tarde já impediu o andamento dos trabalhos no plenário da Câmara.
Em coletiva, Sóstenes afirmou que a oposição está “entrincheirada” e que a ação é coordenada por lideranças do PL, com apoio de outras siglas da base bolsonarista. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também teria participado das articulações. “Vamos entrar em obstrução total na Câmara e no Senado. Não vamos recuar”, disse o parlamentar.
“A partir de agora, estamos nos apresentando para a guerra. Se é guerra que o governo quer, guerra terá”, afirmou Sóstenes, acrescentando que não haverá trégua enquanto as pautas da oposição não forem atendidas. Até o fim da tarde, a presidência da Câmara ainda não havia se manifestado sobre o protesto.

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