A médica Rusmayara Mota, esposa do vereador Elan Alencar (DC) — recentemente cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) — está no centro de uma denúncia grave de improbidade administrativa. De acordo com dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Eirunepé, Rusmayara está lotada no hospital do município e recebe mensalmente R$ 14.718,81, mesmo sem trabalhar na cidade. Moradora de Manaus, ela não exerce nenhuma atividade na unidade hospitalar para a qual foi oficialmente designada.
O caso ganhou repercussão após a cassação de Elan Alencar, que perdeu o mandato por fraude na cota de gênero durante as eleições municipais de 2024. Natural de Eirunepé, o ex-vereador manteve forte influência política local e apoiou a eleição da atual prefeita, Professora Áurea Marques (MDB). Marques é esposa do prefeito de Itamarati, João Campelo (MDB), o que evidencia uma rede de articulações políticas entre os municípios.
Segundo fontes locais, Elan já previa sua cassação e teria articulado a nomeação da esposa como forma de garantir um "pé de meia", utilizando recursos públicos de forma irregular. A suposta nomeação fantasma de Rusmayara Mota evidencia o uso indevido da estrutura da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Eirunepé para fins pessoais e políticos, configurando um possível ato de corrupção.
O caso levanta suspeitas sobre a responsabilidade da prefeita Áurea Marques, que, como gestora do município, teria autorizado ou ao menos permitido o pagamento de salários a uma servidora que não cumpre carga horária nem reside em Eirunepé. A situação coloca em xeque a lisura da gestão pública municipal e reforça a necessidade de fiscalização mais rígida sobre a folha de pagamento da saúde.
Diante das evidências, cresce a pressão para que o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) investigue com rigor as denúncias e responsabilize os envolvidos. O suposto esquema de favorecimento e desvio de recursos públicos precisa ser apurado com urgência, garantindo a responsabilização de quem pratica atos ilegais em prejuízo da população de Eirunepé. A impunidade em casos como este compromete a confiança nas instituições e no serviço público.

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