O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), disse nesta quarta-feira (3/9) que a urgência da proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro pode ser votada já na próxima semana. Segundo ele, o mérito do projeto só deve ser apreciado depois do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus no Supremo Tribunal Federal (STF), que vai até 12 de setembro.
Em entrevista no Salão Verde, Lindbergh ligou a articulação da anistia a outra ofensiva recente no Congresso: a chamada PEC da blindagem, que, na avaliação dele, buscava restringir investigações contra parlamentares.
“Está acontecendo alguma coisa aqui, porque, veja bem: aquela PEC da blindagem, na semana passada, praticamente impedia que parlamentares fossem investigados. E mais grave: dava ao Parlamento o poder de interromper investigações e inquéritos, dizendo ainda que isso seria uma decisão política, sem possibilidade de recurso judicial. Ora, isso é inconstitucional”, afirmou.
Para o deputado, os dois movimentos fazem parte de uma mesma lógica: proteger aliados de Bolsonaro e criar mecanismos de impunidade.
“Essa anistia que eles querem alcança Bolsonaro, os militares e até fatos do passado. O que preocupa é que há uma desconexão com a realidade. Deputados não podem achar justo discutir como proteger seus próprios interesses, como votar uma anistia para favorecer Bolsonaro, em vez de se debruçar sobre os temas que realmente importam para a população.”
Mobilização contra a urgência
Lindbergh disse acreditar que a urgência pode ser levada a plenário imediatamente após o julgamento do STF e advertiu que a oposição à medida terá de se organizar rapidamente. “Existe até a possibilidade de esse tema ser votado logo após o julgamento no Supremo. Há preocupação de que tentem aprovar um pedido de urgência já na próxima semana.
Isso significa que precisamos fazer o dever de casa: conversar com líderes partidários e com cada deputado, individualmente, porque este é um momento de definição. Precisamos saber quem está de um lado e quem está do outro. Para nós, a defesa da democracia e do Supremo Tribunal Federal não é detalhe — é uma questão central. Já começamos a trabalhar para evitar que eles alcancem os 257 votos necessários para aprovar a urgência.”
O petista também atacou parlamentares que, em sua visão, estariam atuando em sintonia com interesses externos. “Me preocupa ver gente defendendo abertamente interesses estrangeiros, levantando a bandeira dos Estados Unidos dentro do Brasil”, disse.
7 de setembro e julgamento no STF
Lindbergh apostou ainda em mobilizações de rua para reforçar a rejeição à anistia. “Agora, no dia 7, teremos mobilizações em todo o país. Espero que ganhem fôlego os movimentos contrários à anistia e que reconhecem que o julgamento em curso no Supremo é sério”, afirmou.
O parlamentar mencionou trechos das sustentações feitas até agora no STF para justificar a gravidade do caso. “Todos viram as sustentações: havia um plano de assassinato contra Lula e contra Alexandre de Moraes. Isso é fato. Chegaram até a casa do ministro no dia 15 de dezembro, com armas. É chocante, mas mostra até onde chegou essa trama: um ex-presidente, derrotado nas urnas, envolvido em um plano de morte.”
Na avaliação de Lindbergh, a trajetória de Bolsonaro explica sua postura. “Sempre defendeu aqueles ligados à tortura na ditadura militar. Quando olhamos a história do Brasil e do próprio Bolsonaro, começamos a entender melhor esse tipo de postura”, afirmou.
O petista concluiu com um recado ao comando da Câmara. “Espero que consigamos derrotar esse projeto de anistia. E espero que o presidente da Casa recue e não leve essa proposta adiante.”

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