A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se manifestou com firmeza, nesta quarta-feira (16), após ter sua identidade de gênero desrespeitada durante a emissão de visto diplomático para participação na Brazil Conference at Harvard & MIT 2025. A parlamentar afirma que o consulado dos Estados Unidos, em Brasília, registrou como gênero masculino, ignorando a certidão de nascimento retificada e o passaporte brasileiro, que atestam sua identidade como mulher.
Em postagem nas redes sociais, Erika destacou que sua cidadania brasileira garante todos os direitos que lhe foram legalmente reconhecidos. “Sou uma cidadã brasileira e tenho meus direitos garantidos e minha existência respeitada pela nossa própria Constituição, legislação e jurisprudência”, declarou. Para a deputada, o erro vai além de um embate burocrático: trata-se de uma violação diplomática e de um ataque às políticas de direitos humanos reconhecidas pelo Brasil.
A parlamentar também criticou duramente o decreto assinado pelo presidente Donald Trump, em janeiro de 2025, que determina o não reconhecimento de pessoas trans no território americano. Erika apontou o risco de se permitir que “a narrativa e os desejos de retirada de direitos do Presidente da vez” definam quem pode ou não existir legalmente. “O que me preocupa é um país ignorar documentos oficiais acerca da existência dos próprios cidadãos e alterá-los conforme interesses políticos”, afirmou.
Erika Hilton reforçou que a embaixada norte-americana, como representação estrangeira em solo brasileiro, não pode simplesmente desconsiderar a legalidade dos documentos emitidos por um Estado soberano. “Se a embaixada dos EUA tem algo a falar sobre mim, que falem baixo, dentro do prédio deles. Cercado, de todos os lados, pelo nosso Estado Democrático de Direito”, disse. A deputada informou que acionou o Itamaraty e estuda uma ação jurídica internacional contra o governo americano.

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