MANAUS – O movimento cultural musical de Manaus vive um momento de rearticulação e força política. À frente dessa mobilização estão o Fórum Setorial de Música, presidido pelo maestro Everaldo Barbosa, o Conselho Estadual de Cultura (CONEC), representado pelo conselheiro Mencius Melo, e a conselheira municipal de cultura, Loren Lunière. Juntos, eles vêm defendendo a criação de uma legislação cultural e, principalmente, a destinação de 2% do orçamento estadual e municipal para a cultura. “Vamos lutar pelos 2%, essa é a nossa virada de chave!”, afirmou Loren em entrevista ao LARANJEIRAS.NEWS.
Os reflexos dessa mobilização já são perceptíveis em eventos recentes como o “Festival da Cunhã”, o “Rock Não Tem Idade” e o retorno do Festival Amazonas de Música (FAM), após sete anos de pausa. Embora reconheça avanços, Loren Lunière considera que essas iniciativas ainda dependem mais de articulações políticas do que de uma política cultural consolidada. “Precisamos assegurar na lei que tenhamos verba para um calendário oficial de eventos da cidade e do estado”, defendeu, destacando a importância do diálogo com gestores como Jender Lobato, da Manauscult, e Caio André, da Secretaria de Cultura (SEC).
Como exemplo de referência, Loren cita Belém, que vive uma fase de destaque nacional tanto pela sua produção musical quanto pela realização da COP30. A capital paraense conta com uma legislação que garante o investimento mínimo de 2% da receita municipal na cultura, conforme a Lei nº 9.880/2023. “O resultado é visível: Belém hoje é considerada a capital cultural da Amazônia. Só em 2024, o Pará recebeu mais de 1,2 milhão de turistas, enquanto o Amazonas recebeu 415 mil. Isso mostra o impacto da política cultural no desenvolvimento econômico”, observou a conselheira.
A força do setor cultural paraense também se reflete no calendário de eventos consolidados, como o Círio de Nazaré, o “Tapajazz”, o “Festival Ver-o-Peso”, o “Psica” e o “Festival Amazônia FiDOC”. Para Loren, esses exemplos reforçam como o investimento contínuo em cultura fortalece a identidade local e impulsiona o turismo. “Essas festas mostram o quanto uma política cultural planejada pode gerar pertencimento e movimentar a economia”, afirmou.
Para a conselheira, garantir 2% do orçamento público para a cultura é um passo fundamental para reposicionar o Amazonas no cenário artístico nacional. “Temos grandes artistas autorais e uma diversidade de estilos que representam nossa pluralidade. Falta apenas vontade política para que o Amazonas volte a ser referência. Estamos nos organizando e vamos crescer. Nós precisamos e vamos ter legislação cultural. Esse jogo vai mudar!”, concluiu Loren Lunière.

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